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A rede da ADRA aprovou a tomada de posição da organização relativamente à atual crise pela qual passam milhares de refugiados que se vêm obrigados a sair dos seus países e a entrarem na Europa em busca de segurança e melhores condições de vida.

Esta posição, aprovada numa recente reunião, no México, em que esteve representada a maioria dos países onde a ADRA atua, apela a que os cidadãos europeus e os seus governos possam receber e proteger os refugiados que chegam à Europa, bem como defender os direitos daqueles que fogem de situações de grande sofrimento.

A ADRA Portugal associa-se a esta tomada de posição e faz um apelo à consciência de todos os que se identificam com a sua missão para que cumpram a sua responsabilidade de cidadãos, acolhendo e defendendo os direitos daqueles que procuram, na Europa, a estabilidade que não podem ter nos seus países de origem.

A ADRA tem em ação vários projetos de apoio aos refugiados na Europa Central e de Leste e prepara-se para apoiar aqueles que se deslocam para Portugal, através da ação das suas delegações locais. Pode fazer o seu donativo para o NIB: 0046 0017 00600030943 32.

A tomada de posição pode ser acedida aqui e o seu texto integral está transcrito abaixo:

Tomada de posição da ADRA sobre a Crise dos Refugiados na Europa

Com a chegada de milhares de refugiados à Europa todos os dias, a ADRA reconhece que novas dificuldades estão a ser identificadas e que as tensões se avolumam. Apelamos para a criação de uma solução política que dê resposta aos problemas que as famílias deslocadas enfrentam. Os nossos líderes devem agir de acordo com as suas responsabilidades e tomar as decisões necessárias para proteger todos os envolvidos.

Apelamos, simultaneamente, para que a população local possa tratar os refugiados que chegam às suas comunidades, da mesma forma como gostariam de ser tratados se estivessem no seu lugar. É evidente que esta situação de crise causa tensões a vários níveis, mas o mundo não pode ficar indiferente ao facto de milhares de famílias se encontrarem em situação de vulnerabilidade sendo alvo de protestos, abusos e exploração.

Considerando os direitos humanos dos refugiados uma prioridade, os políticos e cidadãos devem reconhecer que o tratamento das pessoas deslocadas não deve ser definido pelas fronteiras físicas que elas são forçadas a atravessar, nem pelas identidades religiosas e culturais que cada um carrega individualmente.

Verificando que mais de 84% de pessoas se encontram deslocadas no âmbito desta crise causada pelos principais países produtores de refugiados (ACNUR, 2015), podemos afirmar que estamos, de facto, perante uma crise de refugiados, e que esta deve ser tratada como tal. Esperamos que os povos da Europa, os seus governos e organizações respeitem a humanidade de cada pessoa e que a todos tratem com dignidade. Esperamos ainda que sejam respeitados os direitos humanos básicos e que, nesse sentido, a integridade pessoal, o acesso a instalações de higiene e segurança e a assistência médica (conforme necessária) sejam proporcionados.

Apelamos para que a sociedade de acolhimento não se preocupe apenas com o fornecimento de comida e abrigo, mas que considere também a facilitação de serviços de tradução, mediação e comunicação na interação dos refugiados com as instituições; de apoio psicossocial e de outros serviços específicos a que possam recorrer.

Outro elemento fundamental a considerar no âmbito desta emergência crescente é a proteção. O esforço físico de deslocação não é nada quando comparado ao sofrimento que muitas destas pessoas em situação de vulnerabilidade estão a enfrentar. As políticas dos governos e os seus funcionários devem priorizar a segurança e dar o exemplo no tratamento dos refugiados.

Quando são negados os direitos básicos aos refugiados, eles não são os únicos a pagar um preço. Apesar de, neste momento, os olhos do mundo recaírem sobre a Europa, estamos perante uma crise global; sendo certo que cada decisão se submete a um intenso escrutínio. Ao respeitarmos os direitos humanos e agirmos com compaixão estaremos a passar uma clara mensagem de união durante esta situação complicada e frágil.

A ADRA está unida para a proteção e defesa dos direitos dos refugiados. Reconhecemos a humanidade dentro desta crise, bem como o valor de cada indivíduo envolvido. Dedicamo-nos a reduzir, tanto quanto pudermos, o impacto de uma situação esmagadora e insuportável para tantos homens, mulheres e crianças. Encorajamos cada cidadão a fazer tudo o que esteja ao seu alcance para proteger os direitos dos refugiados dentro de suas fronteiras.

Ad7 Notícias | ADRA Portugal