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Recorrendo à célebre e tradicional expressão da “justiça de Fafe”, a Câmara Municipal de Fafe, em parceira com o Observatório de Liberdade Religiosa, promove durante o mês de abril uma iniciativa com o título “Terra Justa: Grandes Causas e Valores da Humanidade”, com o objetivo de colocar no centro de reflexão dos seus visitantes e captar a atenção do público em geral para as questões relativas à solidariedade, aos direitos humanos, ao diálogo intercultural e à liberdade religiosa.  

Pompeu Martins – Vice-Presidente da Câmara Municipal de Fafe afirmou que Fafe é conhecido a nível nacional por ser a Terra da justiça. De norte a sul do país, sempre que alguém se identifica como fafense, toda a gente fala justiça à moda de Fafe. Face a isso nós quisemos, e por que isto é assim já há muitos anos, quisemos pegar nesta marca de justiça e demonstrar ao país e tb a outros países que era um sitio ideal para se fazer a grande discussão entre as grandes causas e os grandes valores do nosso tempo. Portanto, era juntar aqui a justiça não exclusivamente em sentido restrito no que diz respeito à justiça do direito dos tribunais mas acima de tudo abraçar aquelas que são as grandes causas da humanidade.

Um dos objetivos da iniciativa era o de conseguir trazer até ao cidadão comum estes grandes, muitas vezes fechados no discurso e no debate das instituições políticas, religiosas e universitárias. A forma de o fazer foi, como ponto principal, uma agenda de quatro dias intensos de exposição e debate públicos sobre as causas e valores da humanidade, que decorreram entre os dias 9 a 11 de abril. Durantes estes dias, estiveram em apresentação cartazes, diversos pontos de atração de rua, um percurso com materiais e recursos de reflexão e um conjunto de tertúlias em cafés da cidade, com personalidades conhecidas dos mais diversos quadrantes da sociedade. Pompeu Martins – Vice-Presidente da Câmara Municipal de Fafe disse ainda, Chamamos tb a este evento, uma série de conversas de café que estão a ser um sucesso, pq entendíamos que estas questões não se podem fechar nos sítios de costume e as pessoas nos seus locais de convivialidade se pudessem cruzar com esta com estas pessoas e com elas estabelecer algum diálogo sobre essas questões e exposições...

Durante esses dias, foram homenageadas quatro instituições de referência nas áreas da luta contra a pobreza e a exclusão: Cáritas, Amnistia Internacional, Médicos do Mundo e Pró Dignitate. Para além de uma exposição alusiva ao trabalho da instituição, foi pedido a um responsável de cada uma delas que escrevesse num papel algo para ser lido futuramente, documento que foi encerrado num monumento dedicado à iniciativa Terra Justa, iniciativa essa que nos é explicada por Joaquim Franco, jornalista e colaborador fundador do Observatório de Liberdade Religiosa: Cada um dos homenageados, ano após ano, pois esta vai ser uma iniciativa anual, colocam uma mensagem que é secreta, só ele é que sabe o que escreveu, num monumento criado, num espaço criado de propósito no centro da cidade, é um tubo, coloca essa mensagem num tubo e daqui a 25 anos abrir-se-á essa mensagem, ou seja, a próxima geração irá saber o que 25 anos antes determinada pessoa pensava ou dizia à volta deste grande tema das causas e dos valores da humanidade; no fundo sobre o homem.  

Uma outra iniciativa “Terra Justa” é uma exposição, que conta com duas exposições da Sociedade Bíblica de Portugal – uma sobre a Bíblia em Português e João Ferreira de Almeida e outra intitulada “Vozes do Silêncio” -; uma sobre a realidade e a importância do diálogo inter-religioso, da responsabilidade da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre; um outro conjunto de expositores de documentação e reflexão sobre liberdade religiosa, em parceria com a Associação Internacional para a Defesa da Liberdade Religiosa; e ainda salas com conteúdo multimédia, em que se destacam duas salas com imagens sobre os grandes valores da humanidade, aqui apresentadas por Joaquim Franco: Depois temos duas salas, muito curiosas que demos o nome de valores religiosos, valores universais. Escolhemos 28 palavras – 28 valores, que entendemos que são valores religiosos e simultaneamente valores universais e fomos com essas palavras e com a palavra religião ou com a palavra fé ou com a palavra islão ou a palavra cristianismo, ao principal motor de busca na internet, e vimos o que aconteceu. Surgiram milhares de fotografias. Escolhemos depois as melhores fotografias. O que é que temos nestas salas? Valores universais e valores religiosos, vistos pelo principal motor de busca pela internet, imagens que qq pessoa pode ver, fazendo uma busca a partir daquelas 28 palavras e agregando a essa busca tb a palavra islão ou a palavra religião ou a palavra crença. Para se ter uma ideia daquilo que se vê hoje da religião, pode não ser propriamente aquilo que se é verdadeiramente a religião.

A AIDLR, organização de defesa e promoção do princípio da liberdade religiosa apoiada pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, marca presença nesta exposição como parceira do Observatório de Liberdade Religiosa.

Paulo Sérgio Macedo, Presidente da Associação, explica o objetivo e o conteúdo desta presença: Participamos através de alguns rol-up’s, relacionados com a história de Portugal sobre o ponto de vista da liberdade religiosa, documentos internacionais fundadores de liberdade religiosa, um grande painel com algumas citações de grandes figuras que ao longo do tempo falaram sobre liberdade religiosa, e tb da apresentação da própria AIDLR, e de facto achamos muito bem esta iniciativa, uma iniciativa louvável por que tem grandes causas e valores na sua base e estamos muito com muito prazer associados a elas, obviamente. Paulo Sérgio Macedo realçou ainda o papel que esta iniciativa, e outras semelhantes, têm para a reflexão sobre os valores da humanidade e a sua importância para a convivência entre os seres humanos: Nós estamos habituamos infelizmente hoje em dia na atualidade ouvir falar da religião nem sempre pelos melhores motivos e a conflitualidade no mundo em que vivemos parece estar ligada estreitamente ao fenómeno religioso. Mas de facto a liberdade religiosa é o espaço onde as pessoas, as culturas, as religiões, os homens de bem se encontram e onde têm em comum esta ansia de liberdade. De facto, quando se discute religião o foco está na religião, na verdade religiosa. Na liberdade religiosa está no direito à diferença e na percepção que temos, todos em comum, de vivermos a nossa própria fé e a diferença dentro dessa fé na comunidade e na sociedade.

Esta exposição, juntamente com as exposições das instituições homenageadas,  está aberta ao pública até ao dia 30 de abril, no Arquivo Municipal, em Fafe.

Ad7 Notícias | PS AIDLR