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A pandemia da Covid-19 é a maior crise de saúde pública dos últimos 100 anos.

Tem devastado populações ao redor do mundo e afetado severamente a sua saúde física, espiritual, mental, emocional e relacional. Deixou um rasto de isolamento, surtos recorrentes, disrupção económica e morte contínuas. Somos confrontados com medidas de mitigação como o uso de máscaras, distanciamento (físico) social, higienização das mãos, deteção precoce, testagem e controlo de contactos de risco que passaram a fazer parte das nossas vidas. 

No meio deste tempo de crise e disrupção, a Igreja Adventista do Sétimo Dia está comprometida com a missão de elevar Cristo, a Sua Palavra, a Sua justiça e a proclamação da tríplice mensagem angélica ao mundo para preparar as pessoas, através do poder do Espírito Santo, em prol da breve vinda de Jesus. A mensagem de saúde é o braço direito do evangelho e, por isso, um estilo de vida saudável tem sido uma parte importante das crenças dos Adventistas do Sétimo Dia desde os seus primórdios. Continuamos comprometidos em viver, partilhar e promover a vida saudável conforme expressado na plenitude da mensagem de saúde Adventista confiada à igreja. Os estudos de saúde Adventistas confirmaram os benefícios inquestionáveis do aumento da longevidade e qualidade de vida através da implementação de tais práticas saudáveis. Estas incluem uma dieta vegetariana equilibrada, exercício físico, beber água em quantidade adequada, exposição segura à luz solar, ar puro, abstinência de álcool, tabaco e outras substâncias prejudiciais, descanso e sono adequado e, mais importante, confiança em Deus. Estas práticas fortalecem e mantêm uma imunidade saudável. Para além dos benefícios dos princípios de vida saudável e práticas preventivas de saúde pública, a Igreja afirma e recomenda o uso responsável das vacinas como uma importante medida de saúde pública, especialmente durante uma pandemia. Ao mesmo tempo, a Igreja respeita o direito individual de liberdade de escolha para aqueles que optam por não ser vacinados. 

A atual posição da Igreja relativamente à imunização e vacinas, incluindo a da Covid-19, baseia-se na perceção da mensagem de saúde abrangente que os Adventistas têm apoiado desde o início, com amplo apoio nas Escrituras e nos escritos de Ellen G. White que se referem à importância da prevenção de doenças. Enquanto denominação, temos defendido a sinergia de um estilo de vida saudável e imunização responsável há mais de cem anos. À luz da magnitude global da pandemia, das mortes, incapacidade e efeitos a longo prazo da Covid-19 em todas as faixas etárias, encorajamos os nossos membros a considerarem uma imunização responsável e à promoção e facilitação do desenvolvimento daquilo que é comummente designado como imunidade de grupo (imunidade comunitária pré-existente de aproximadamente 80%, ou mais, como resultado de infeção prévia e/ou vacinação). Temos a consciência de que as vacinas podem ter efeitos secundários, e que estes podem ser severos numa pequena percentagem de casos, que podem incluir a morte em situações raras. Nenhuma vacina é 100% eficaz. Neste contexto, as nossas decisões devem ter em cuidadosa consideração o risco de levar a vacina por comparação aos riscos de sermos infetados com COVID-19. A imunidade obtida quer por infeção natural quer pela vacina é limitada em termos de tempo e a administração de doses de “reforço” pode ser necessária. Levar uma vacina de reforço, por recomendação do profissional de saúde que nos acompanha, pode melhor promover a nossa saúde pessoal e pública. A necessidade de uma vacina de reforço não indica o “fracasso” da vacina, mas reflete a natureza dos níveis de anticorpos que podem decair com o passar do tempo. 

A Igreja Adventista do Sétimo Dia respeita a liberdade individual de escolha de cada um para tomar decisões responsáveis em relação à sua saúde. Visto que os nossos corpos são o templo do Espírito Santo quer por criação quer por redenção, devíamos procurar pessoalmente saber qual a vontade de Deus quanto às vacinas contra a COVID-19. A decisão de tomar ou não a vacina não é uma questão de salvação, nem se relaciona, como alguns sugerem, com a marca da besta. É uma questão de escolha pessoal. (Faríamos bem em lembrar que Deus deu a Adão e a Eva a Liberdade de escolha no Jardim do Éden, embora essa escolha tenha resultado em consequências significativas.) Acreditamos firmemente que em questões de convicção pessoal devemos ser guiados pela Palavra de Deus, a nossa consciência e análise informada. Pesando as várias opções, também deveríamos ter em consideração que os benefícios da vacinação se estendem para além de nós mesmos e ajudam a proteger grandemente a comunidade local e global. Depois de pesquisar, pessoalmente, todos os lados da questão, considerando a situação de saúde única de cada um, de procurar conselho médico, e depois de orar, cada um individualmente, em conjunto com o seu médico, deve fazer a melhor escolha possível (ver 1 Coríntios 6:19, 20; Salmos 32:8; Provérbios 11:14; Tiago 1:5; Isaías 58:11). Conforme informação sobre as vacinas da Covid-19 da Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia publicada em 18 de Dezembro de 2020, e predicada na declaração sobre Imunização, de 2015, confirma:

“A DECISÃO DE SER OU NÃO IMUNIZADO É UMA ESCOLHA DE CADA INDIVÍDUO, E DEVE SER FEITA EM CONSULTA COM O MÉDICO DE CADA UM. A PESQUISA PESSOAL SOBRE O TEMA É IMPORTANTE. POR FIM, DEPENDEMOS DO SEGUIMENTO DAS PRÁTICAS DE SAÚDE BÍBLICAS E DO ESPÍRITO DE PROFECIA, E DE SEGUIR A ORIENTAÇÃO DE DEUS NAS NOSSAS VIDAS, O QUE NOS TRARÁ PAZ E A CERTEZA DA NOSSA TOMADA DE DECISÃO.”

Países e sociedades em todo o mundo enfrentaram previamente mandatos de saúde pública sob várias formas. Estes foram instaurados como medida de proteção, reconhecendo que a saúde da comunidade é um importante determinante da saúde individual e da suscetibilidade à doença. As práticas de saúde pública têm sido ordenadas desde os tempos de Moisés, e provavelmente antes disso. Exemplos mais recentes de práticas obrigatórias de saúde pública incluem a proibição de fumar em aviões e o uso de cintos de segurança como requisito geral para todos os veículos motorizados. Ao longo dos últimos 120 anos, a vacinação obrigatória contra a varíola foi implementada junto da população Norte Americana em geral e noutros países ao redor do mundo, resultando num mundo que está atualmente livre da varíola. Inúmeras outras doenças infeciosas têm sido controladas pelas vacinas e também têm sido sujeitas a mandatos (e.g., poliomielite, sarampo, difteria). Os missionários Adventistas do Sétimo Dia, nos anos 30 do século XX, foram instruídos pela Igreja, enquanto entidade empregadora, a receberem imunizações contra a varíola e contra a febre tifoide. Estes requerimentos têm sido partilhados ao longo dos anos nas publicações oficiais da Igreja, e a aceitação destes requerimentos pelos membros de Igreja, no geral, tem sido positiva. O requerimento de que os missionários sejam vacinados adequada e responsavelmente continua, hoje. Ellen White não comentou sobre o tema da liberdade religiosa em relação aos mandatos de vacinação durante a sua vida. Ela compreendia claramente a mensagem de saúde plena confiada à Igreja melhor do que muitos.

A Igreja Adventista não se opõe à segurança pública e mandatos de saúde governamentais. A submissão às autoridades é um princípio bíblico, a menos que estes entrem em conflito com a obediência a Deus (Mateus 22:21; Romanos 13:1-7). Em muitos casos a Igreja Adventista tem apoiado os mandatos governamentais que apoiam questões de saúde e segurança. No que diz respeito às vacinas contra a COVID-19, acreditamos que os indivíduos têm o direito de afirmar e defender as suas convicções, quanto ao serem ou não vacinados. Os mandatos normalmente permitem a isenção na presença de convicções religiosas individuais ou condições de saúde. Com a ampla oferta de testagem individual disponível, as pessoas podem optar por se submeter regularmente a testes, se necessário.

O Departamento de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa (PARL) da CG considera a COVID-19 como uma crise de saúde pública e encara a ligação com as vacinas em conformidade. O PARL oferece apoio e assistência a membros que defendem os ensinamentos religiosos e doutrinas da Igreja, conforme expresso na declaração do sistema de crenças e políticas (e também a outros grupos de fé). Reconhecemos que, por vezes, os nossos membros têm preocupações pessoais e até convicções de consciência que vão para lá dos ensinos e posições da Igreja. Nestes casos, os líderes da liberdade religiosa da Igreja farão o que puderem para oferecer apoio e aconselhamento, a nível pessoal, mas não institucional, auxiliando por vezes os membros a escrever os seus pedidos de acomodação pessoais a entidades empregadoras e outros. Para evitar confusão acerca das posições da própria Igreja, contudo, muitas vezes acontece que em tais circunstâncias a Igreja não deseje que o seu apoio ou defesa do membro seja refletido em correspondência ou comunicações públicas. É importante que a Igreja conserve a sua capacidade para falar de questões que são centrais ao seu sistema de crenças e identidade, e que a sua influência não seja diluída ao investir em convicções pessoais e agendas que não são centrais aos interesses proféticos e do evangelho. 

A Igreja Adventista do Sétimo Dia, em consulta com o Departamento de Saúde e o Departamento de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa da Conferência Geral, está convencida que os programas de vacinação que estão, no geral, a ser levados a cabo são importantes para a segurança e saúde dos nossos membros e comunidade alargada. Por conseguinte, as alegações de liberdade religiosa não são usadas adequadamente na objeção aos mandatos governamentais ou programas patronais concebidos para proteger a saúde e segurança das suas comunidades.

Esta tem sido, geralmente, a posição da Igreja durante o último século desde que o programa moderno de vacinação foi desenvolvido. Se usamos os nossos recursos da liberdade religiosa em esforços de defesa de uma decisão tão pessoal, cremos que deste modo enfraqueceremos a nossa posição quanto à liberdade religiosa perante o governo e perante o público. Tais esforços tornariam menos provável que estes argumentos fossem ouvidos e apreciados quando usados para questões de adoração e práticas religiosas. Compreendemos que alguns dos nossos membros analisam as coisas de forma diferente, e respeitamos essas convicções. Podem, por vezes, ter direitos que podem ser invocados legalmente, e iremos direcioná-los para materiais e recursos para que o façam, mas não podemos assumir diretamente este esforço pessoal por eles.

Como é que a Universidade Médica de Loma Linda (LLUH), uma das nossas mais prestigiadas universidades médicas denominacionais, e a sua escola de medicina deu resposta durante a pandemia? Atualmente, 90% dos nossos estudantes estão vacinados, assim como 97% dos nossos médicos. A recusa religiosa é oferecida nos hospitais aos que estão fortemente decididos a não se vacinarem, mas são acompanhados por testagens semanais. Consequentemente, o registo de casos de COVID-19 entre estudantes e pessoal diminuiu de forma significativa desde Dezembro de 2020.

O que realmente vai contar durante esta pandemia e depois dela é a forma como nos tratamos uns aos outros, particularmente no seio da igreja, mas também entre as nossas comunidades mais alargadas. Ira, estigmatização ou vilipêndio não devem residir dentro do corpo de Cristo. Devemos relacionar-nos com respeito, amor e compaixão.

Em vez de nos focarmos nas nossas convicções individuais, devemos aproximar-nos uns dos outros num relacionamento mútuo e com Cristo. Deveríamos encorajar-nos uns aos outros e levar esperança às pessoas do mundo ao partilharmos a importante mensagem dos Três Anjos vinda de Deus e a antecipação da breve volta de Cristo. Devemos trabalhar para sermos mais ativos nas nossas igrejas e não criar divisões no seio mais alargado do corpo de Igreja. Enquanto Adventistas devemos ser um exemplo para os outros, tendo em mente que o universo está a observar. 

É importante cuidarmos uns dos outros, tendo os outros em conta nas nossas práticas. Isto inclui a prevenção da disseminação de doenças mortais e, considerando ou não a vacina, tendo amor mútuo e amando o nosso próximo como a nós mesmos. Então, juntos, podemos seguir em frente na fé, “suportando-nos uns aos outros com amor” e prestando atenção ao conselho Celeste: “Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Efésios 4:2, 3). Deus chama-nos a não ter medo e a colocar a nossa certeza n’Ele uma vez que nada nos pode separar do Seu amor (Romanos 8:31-39). “O Senhor, pois, é aquele que vai adiante de ti; ele será contigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas, nem te espantes.” (Deuteronómio 31:8; também João 16:33). Coloquem a vossa esperança em Jesus e sejam encorajados por Ele, porque Ele venceu o Mundo!

O processo de produção deste documento incluiu vastas consultas a diferentes entidades de Igreja e especialistas que representam a Igreja mundial.

Este documento foi produzido pela Administração da Conferência Geral, Instituto de Pesquisa Bíblica, Departamento de Saúde da CG, Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa, Conselho Geral do Gabinete da Conferência Geral, e Universidade de Saúde de Loma Linda. Fundamenta-se na declaração sobre imunização votada em Abril de 2015 e confirma, quer esta última declaração quer a informação sobre as vacinas da COVID-19 partilhada a 22 de Dezembro, 2020.

Notícia originalmente publicada em:

https://www.adventistreview.org/church-news/story16958-reaffirming-the-seventh-day-adventist-church-covid-response

https://adventist.news/news/reaffirming-the-seventh-day-adventist-churchs-response-to-covid-19-1

https://news.eud.adventist.org/en/all-news/news/go/2021-10-27/reaffirming-the-seventh-day-adventist-churchs-response-to-covid-19/

 

Referências e Fontes: