Notícias Nacionais

Pastor Monteiro, com veredito inocente, é libertado. Irmão Amah permanece detido.

Há mais de 700 dias que o Pastor Monteiro e o irmão Amah permaneciam detidos, à espera de julgamento, em Lomé, no Togo, acontecimento que uniu em sentimento e oração a família adventista em todo o mundo.

Nos últimos dias, o desenvolvimento do julgamento trouxe a absolvição para o Pastor Monteiro e a condenação a prisão perpétua para o irmão Amah.

Agora, finalizado o julgamento, são reveladas, pela primeira vez, as acusações que incidiram sobre estes dois adventistas, bem como pormenores sobre as circunstâncias da sua detenção e do curso do julgamento.

A decisão do tribunal de recurso de Lomé chega quase 22 meses após o momento em que os dois, juntamente com outros indivíduos, foram presos, em Março de 2012, com acusações de conspiração para a prática de homicídio.

Num caso que captou a atenção da denominação ao nível global, os dois irmãos, bem como outras três pessoas, foram detidos sem julgamento, com base na acusação de um homem, descrito num exame psicológico forense como um “mentiroso patológico”. Esse homem, Kpatcha Simlya, que foi também detido, foi considerado culpado nesta decisão do tribunal e condenado a prisão perpétua. Todd McFarland, advogado e conselheiro da Conferência Geral, que acompanhou presencialmente a equipa de defesa neste processo, disse que a decisão incidiu sobre outros dois indivíduos – Beteynam Raphael Kpiki Sama, condenado a 25 anos de prisão e multado em 20 800 dólares, e Idrissou Moumouni, que foi absolvido. Esta “saga” com quase dois anos foi seguida por milhões de adventistas, que promoveram vigílias de oração, lançaram campanhas na comunicação, enviaram correspondência a entidades oficiais, fizeram conferências de imprensa e assinaram petições, requerendo a libertação destes irmãos.

John Graz, responsável pelo Departamento de Liberdade Religiosa da Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia afirmou que “ficámos com um sentimento dividido relativamente a esta decisão. A absolvição do Pastor Monteiro é uma boa notícia e estamos felizes por ele e pela sua família. Estamos surpreendidos e muito desgostosos pela condenação do irmão Amah.” O Pastor Monteiro, cidadão de Cabo Verde, serve como missionário no Togo desde 2009, sendo neste momento Diretor do Departamento dos Ministérios da Família na União do Sahel, em Lomé.

As prisões e detenções tiveram lugar após uma série de homicídios em Setembro de 2011. Tendo em conta as notícias de jornais e informações da polícia, mais de uma dúzia de cadáveres de mulheres entre os 12 e os 36 anos foram encontrados no subúrbio a norte de Lomé, Agoué. Os corpos tinham marcas de esfaqueamento e alguns órgãos tinham sido removidos, provavelmente usados em cerimónias de voodoo, largamente praticadas no Togo. Segundo os líderes locais da Igreja, como, durante algum tempo, a polícia não efetuou detenções, os populares exigiram justiça. Kpatcha Simlya foi depois filmado e mostrado na televisão rodeado de agentes da polícia, contando a história da série de homicídios que afirmou ter praticado, e nomeando pessoas como seus cúmplices. Mas muita da sua narrativa provou ser inverosímil, incluindo o número de vítimas e os métodos usados, de acordo com o psiquiatra que o avaliou. “Qualquer pessoa informada e razoável levantaria dúvidas sobre a realidade e até a exequibilidade dos seus crimes ou supostos crimes”, declarou o especialista num relatório de 9 de setembro de 2012. Simlya retratou-se mais tarde das suas acusações, argumentando ter sido espancado pela polícia e forçado a dar nomes de pessoas que conhecesse, como sendo seus co-conspiradores numa rede de tráfico de sangue. No entanto, o seu testemunho – a única prova apresentada no caso – foi suficiente para que houvesse condenações. O júri que julgou o caso era constituído por três juízes e seis civis, disse  Todd McFarland.

O julgamento teve início na passada sexta-feira e estendeu-se até à noite de sábado. A decisão e as sentenças foram divulgadas na madrugada de domingo.

McFarland anunciou que os detidos que foram absolvidos serão libertados ainda hoje. O Pastor Monteiro vê, assim, este verdadeiro pesadelo chegar ao seu final.

Departamento de Liberdade Religiosa e Assuntos Públicos | Ad7 | ANN | CD EUDNews;