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Desengane-se quem pensa que a experiência do “porta-a-porta” faz apenas parte dos manuais, no capítulo da história do evangelismo. Na era do evangelismo virtual, 22 jovens ficaram offline, voluntariando-se para se dedicarem um mês à pregação da mensagem do advento, num dos extremos de Portugal continental: Vila Real de Santo António.   

O calor intenso (mais de 30º de temperatura!) não impede que o percurso seja feito a pé. A cidade algarvia de Vila Real de Santo António não é pequena, mas a distribuição do pessoal está feita de modo a que nenhum bairro fique esquecido. Todas as campainhas devem soar para que um questionário seja feito. É este o método escolhido para abordar o assunto da religião junto das pessoas, através de um pequeno questionário sobre religião, seguido de uma conversa que naturalmente fluirá. Frequentemente, a lógica inverte-se, e são os questionados que acabam por fazer as perguntas aos nossos jovens. Passar mais de uma hora a conversar calmamente sobre religião com estranhos não é de todo uma novidade para os jovens por Jesus. É isso que os motiva a fazerem dezenas de quilómetros a pé pelas ruas desertas, pelo calor desta cidade raiana.

Decidimos acompanhar o trabalho de um destes grupos na atividade do “porta-a-porta”.  O Daniel Igor é o mais jovem dos quatro que seguimos. Tem apenas 15 anos. Percebemos que é também o mais decidido, quando nos diz que “antes de vir para os Jovens por Jesus (JPJ) procurava três semanas de forte ligação com Deus. Mas tudo o que me aconteceu desde que cheguei tem-me surpreendido de uma forma que nunca imaginei. Agora é que percebi a volta que a minha vida deu”. Vestido de calças e sapatos clássicos, qual verdadeiro missionário urbano, ou não fosse a indumentária discreta uma das condições de participação que cada jovem aceitou, emociona-se quando nos confidencia que um dos primeiros objetivos que tem ao regressar a casa é “acordar todos os dias mais cedo e reservar um tempo para Deus”. 

É este o espírito do JPJ. Para além de procurar atrair as pessoas para Jesus, os participantes são os primeiros a sair desta experiência transformados pelo poder da mensagem que apresentam.

Pelo terceiro ano consecutivo, este projeto é liderado por Vera Gonçalves, de 27 anos, licenciada em psicologia. Durante três anos mudou de residência, morando desde Évora, a Rio Maior e, agora, em Vila Real de Santo António. É a Vera que, durante os últimos 10 meses, preparou todos os pormenores deste projeto. Este ano, conta com a ajuda da Rita e da Rúbia que também interromperam os seus projetos pessoais em nome dos JPJ. Das equipas anteriores apenas a Vera tem permanecido neste projeto, pois todos os que colaboraram com ela são agora estudantes de Teologia. “Já são consideráveis os estudantes de Teologia que ouviram o chamado de Deus depois desta experiência nos JPJ”, esclarece o Pr. Júlio Carlos Santos, diretor do departamento de Evangelismo da União Portuguesa dos Adventistas do Sétimo Dia (UPASD). O Daniel Igor é um desses jovens que deseja vir a ser pastor; “já tinha em mente estudar Teologia antes de vir para aqui, mas depois desta experiência quero mesmo ser pastor”, diz-nos.

O projeto dos JPJ é uma importação do modelo americano Youth for Jesus, tendo porém por objetivo, aqui em Portugal, dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo “Impacto” (acantonamento de evangelização organizado pela Juventude Adventista). Durante um ano, dois ou três jovens interrompem os projetos pessoais e mudam-se para uma cidade portuguesa e aí realizam diversos estudos bíblicos de continuidade. “O importante é que nenhum contacto se perca” explica a Vera Gonçalves. Este projeto tem o apoio financeiro da ASI e a colaboração direta do departamento de Evangelismo da UPASD. É a sincronização de esforços que dita o sucesso deste trabalho.

Depois do trabalho inicial de preparação, normalmente realizado em julho, juntam-se aos coordenadores dezenas de jovens para a grande atividade de verão. Este ano, estão inscritos 22 participantes, tendo o mais novo 15 anos e o mais velho 25.  Além do “porta-a-porta” também fazem trabalho de voluntariado e ainda, à noite, conferências públicas. São estes jovens os próprios pregadores! A Inês Mendes é a conferencista desta noite. Tem 16 anos e, apesar do à-vontade, invulgar para a idade, nunca “pregou” nestes moldes. Depois de algumas indicações de homilética concedidas pelo Pr. Júlio Carlos, o auditório, mesmo que pequeno, da Junta de Freguesia de Vila Real de Santo António, encheu para a ouvir falar. Esta noite fala da Igreja Adventista como sendo a Igreja verdadeira. Durante uma hora esgrimiu argumentos que no mínimo levaram à reflexão das visitas presentes. À mesma hora, ali perto, uma dezena de JPJ estão alguns deitados, outros estão de joelhos em oração, durante os 60 minutos da pregação. Oram para que Deus toque o coração dos que ouvem a Inês naquele instante.

Quando nos preparamos para regressar a casa depois de um dia com os JPJ, sentimo-nos como o Daniel Igor, surpreendidos com a experiência ali vivida. A absorvente atmosfera espiritual que se fez sentir durante todo o dia só pode ser justificada pela intervenção de Deus na vida destes jovens por Jesus. 

 

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