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Foi no passado dia 21 de junho de 2020 que entrei na igreja de Faro pela última vez.

Não foi para participar no serviço regular da igreja, mas para fazer uma mudança de mobiliário. Eu e a irmã Cidália Silva fomos, provavelmente, as últimas pessoas a despedirem-se desse espaço. Após retirarmos todos os pertences da igreja do espaço que agora deixa de “ser nosso”, fez-se uma última limpeza, antes de se devolver o salão ao senhorio. A irmã Cidália, com toda a dedicação que lhe é reconhecida, fechou a porta da igreja de Faro pela última vez.

A igreja de Faro foi fundada no ano de 1948, ficando subordinada à igreja de Vila Real de Santo António até ao ano de 1954. Desde a sua constituição, não conheceu outro edifício para além do situado na Praça Alexandre Herculano, no centro da cidade de Faro, bem próximo do centro histórico. Passaram-se 72 anos desde o primeiro Serviço de Culto, e passaram-se também várias gerações de fiéis que aqui cresceram, sendo que alguns já descansaram no Senhor.

Bem sabemos que a nossa morada é na eternidade e que devemos “manter o nosso pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas” (Colossenses 3:2), mas não podemos, nem devemos, esquecer-nos de 70 anos de História. Foi ao longo dessa História que a igreja cresceu, ultrapassando várias dificuldades e vários obstáculos pelo caminho. Foram várias as gerações de crianças, de jovens e de adultos que aqui foram dedicadas, batizadas e também unidas em matrimónio, para além de tantos irmãos que por cá passaram temporariamente, e que a igreja sempre recebeu de braços abertos. Estes momentos permanecerão para sempre como lembranças individuais, mas também como lembranças na memória coletiva da igreja.

Não se trata, por isso, do simples encerramento de um edifício, mas de um momento marcante para os fiéis em Faro e de um marco histórico para a igreja local e para a Igreja nacional. No dia 30 de junho, a chave do edifício foi entregue ao senhorio, e nunca mais o serviço religioso em Faro decorrerá neste espaço histórico.

Voltando ao início deste texto, normalmente, quando se faz uma mudança, transporta-se o mobiliário e os pertences de uma casa para outra. A igreja de Faro tem, há muito, um projeto de construção para um edifício de raiz, que sirva todos os propósitos da igreja, e o mesmo conta com o apoio da Autarquia local. Ultrapassadas as questões técnicas e orçamentais, contamos, a médio prazo, mudar-nos para esse edifício próprio.

Assim como o bem mais valioso de uma empresa são os seus recursos humanos, também o bem mais valioso de uma igreja são os seus fiéis. O mobiliário, os pertences e os edifícios não revelam grande importância no contexto da igreja. Os membros e todos os irmãos que nos visitam são o nosso bem mais precioso, e, apesar da distância que a Pandemia nos trouxe, a igreja continua bastante unida. Temos tido a oportunidade de nos encontrar pontualmente na Natureza, para nos animarmos espiritualmente e para mantermos a igreja ativa. Oramos para que Deus nos ajude a avançar com as obras de construção do edifício definitivo da igreja de Faro. Porque a História se constrói no passado, e faz-se no futuro, deixamos um apelo à Igreja nacional, para que se junte a nós em oração.

Para já, dizemos adeus à Praça Alexandre Herculano.

Nota: A igreja Adventista do Sétimo Dia de Faro reúne-se, presentemente, nas instalações da “Comunidade Cristã Renovada de Faro”, situadas na Avenida Calouste Gulbenkian, nº 16, em Faro. Unamo-nos a esta querida igreja com as nossas orações, o nosso carinho e a nossa solidariedade.

HOPE Portugal | Hugo Mártires - Departamento de Comunicação IASD Faro