LIÇÃO 9                     22 a 28 de Agosto de 2010

 

 

 

 

 

Liberdade em Cristo

 

 

 

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SÁBADO À TARDE

 

LEITURA PARA O ESTUDO DA SEMANA: Romanos 8:1-17.

 

VERSO ÁUREO: "Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito." Romanos 8:1.

 

ROMANOS 8 É A RESPOSTA DE PAULO a Romanos 7. Em Romanos 7, o apóstolo fala de frustração, fracasso e condenação; em Romanos 8, desaparece a condenação, substituída pela liberdade e vitória por meio de Jesus Cristo.

O apóstolo dizia em Romanos 7 que, se alguém se recusa a aceitar Jesus Cristo, terá a miserável experiência de Romanos 7. Será escravo do pecado, in­capaz de fazer aquilo que decide fazer. Em Romanos 8, ele diz que Cristo Jesus oferece libertação do pecado e a liberdade de fazer o bem que se quer fazer, mas que a carne não permite.

Paulo continua, explicando que esta liberdade foi comprada por um preço infinito. Cristo, o Filho de Deus, assumiu a humanidade, a única maneira de Ele poder relacionar-Se connosco, poder ser o nosso exemplo perfeito e poder tornar-Se o substituo que morreu em nosso lugar. Ele veio "em semelhança da carne do pecado" (v. 3). Em resultado disso, os justos requisitos da lei podem cumprir-se em nós (v. 4). Por outras palavras, Cristo tornou possível a vitória sobre o pecado, bem como o cumprimento dos claros requisitos da lei.

Devido às limitações do espaço, cobriremos apenas os primeiros 17 versícu­los de Romanos 8. Na medida que o tempo o permita, leia o resto do capítulo, o qual está repleto de maravilhosas certezas do amor de Deus. Estes versículos orientam-nos poderosamente para a esperança que devemos ter como indiví­duos que são "mais do que vencedores, por Aquele que nos amou" (v. 37), e que, por causa desse amor, "nem mesmo a Seu próprio Filho poupou, antes O entregou por todos nós" (v. 32).

 

 

DOMINGO, 22 de Agosto               LIBERTADOS DA CONDENAÇÃO

 

 

"Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito." Roma­nos 8:1. O que é que significa "nenhuma condenação"? Nenhuma conde­nação do quê? E por que razão constitui isto tão boas novas?

 

"Em Cristo Jesus" é uma expressão muito comum nos escritos de Paulo. Di­zer que uma pessoa está "em" Cristo Jesus significa que aceitou Cristo como seu Salvador. Essa pessoa confia n’Ele implicitamente e decidiu fazer do modo de vida de Cristo o seu próprio modo de vida. O resultado é uma união pessoal íntima com Cristo.

A expressão "em Cristo Jesus" é posta em contraste com "segundo a carne". Também é contrastada com a experiência pormenorizada no capítulo 7, onde o apóstolo descreve o indivíduo sob condenação antes de se entregar, como um ser carnal, a Cristo, querendo dizer que é escravo do pecado. Esse indivíduo está condenado à morte (vs. 11, 13 e 24). Está ao serviço da "lei do pecado" (vs. 23 e 25). Essa pessoa está num terrível estado de miséria (v. 24).

Contudo, quando essa pessoa se entrega a Jesus, opera-se imediatamente uma mudança na sua posição diante de Deus. Anteriormente condenada como violadora da lei, essa pessoa apresenta-se agora perfeita aos olhos de Deus, comparece como se nunca tivesse pecado, porque a justiça de Jesus Cristo a cobre completamente. Não há mais condenação, não porque a pessoa esteja isenta de falhas, sem pecado ou seja merecedora da vida eterna (certamente que não é!), mas porque o registo da vida perfeita de Jesus é colocado no lugar do dessa pessoa; dessa forma, não há nenhuma condenação.

Mas as boas novas não se ficam por aqui.

 

O que é que liberta uma pessoa da escravidão do pecado? Rom. 8:2.

 

"A lei do espírito de vida" significa aqui o plano de Cristo para a salvação da humanidade, em contraste com "a lei do pecado e da morte" que foi descrita no capítulo 7 como a lei pela qual o pecado dominava, cujo fim era a morte. A lei de Cristo, pelo contrário, traz vida e libertação.

 

"Toda a alma que recusa entregar-se a Deus está sob o domínio de outro poder. Não pertence a si mesma. Pode falar de liberdade, mas está na mais abjecta servidão. … Enquanto se lisonjeia de seguir os ditames do seu próprio discernimento, obedece à vontade do príncipe das trevas. Cristo veio quebrar as algemas da escravidão do pecado para a alma." – Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 398 (ed. P. SerVir). Pessoalmen­te, acha que é escravo ou é livre em Cristo? Como é que pode ter a certeza?

 

 

SEGUNDA, 23 de Agosto              O QUE ERA IMPOSSÍVEL À LEI

 

 

Por muito boa que seja, a "lei" (a lei cerimonial, a lei moral ou até ambas) não consegue fazer por nós aquilo de que mais necessitamos, e que é providenciar o meio de salvação, um meio de nos salvar da condenação e da morte que o pecado produz. Para isso, precisamos de Jesus.

 

Leia Romanos 8:3 e 4. O que foi que Cristo fez que a lei, pela sua própria natureza, não consegue fazer?

 

Deus proveu um remédio ao "enviar o Seu Filho em semelhança da carne do pecado", e assim "condenou o pecado na carne". A incarnação de Cristo foi um passo importante no plano da salvação. É correcto exaltar a Cruz, mas na execu­ção do plano da salvação, a vida de Cristo "em semelhança da carne do pecado" também foi extremamente importante.

Como resultado daquilo que Deus fez ao enviar Cristo, agora podemos cum­prir os justos requisitos da lei, isto é, fazer as coisas certas que a lei exige. "Debaixo da lei" (Rom. 6:14), isso era impossível; "em Cristo" é agora possível.

No entanto, temos de nos recordar de que fazer aquilo que a lei requer não significa guardar a lei suficientemente bem ao ponto de chegar para ganhar a salvação. Isso não é alternativa, nem nunca o foi. Significa simplesmente viver a vida que Deus nos capacita a viver; significa uma vida de obediência, uma vida em que crucificamos "a carne com as suas paixões e concupiscências" (Gál. 5:24), uma vida na qual reflectimos o carácter de Cristo.

"Andamos", a forma verbal no versículo 4, é uma expressão idiomática que significa "comportamo-nos". A palavra carne neste caso denota a pessoa não regenerada, quer antes quer depois de ser persuadida. Andar segundo a carne é ser controlado por desejos egoístas.

Em contrapartida, andar segundo o Espírito é cumprir o justo requisito da lei. É unicamente por meio da ajuda do Espírito Santo que podemos cumprir esse requisito. É unicamente em Cristo que existe liberdade para fazer aquilo que a lei requer. Separados de Cristo, não há essa liberdade. Aquele que está escravizado pelo pecado acha impossível fazer o bem que deseja fazer (veja Rom. 7:15 e 18).

 

Até que ponto está a guardar bem a lei? Pondo de lado quaisquer ideias de obter a salvação pela lei, a sua vida é uma vida em que se cumpre "a justiça da lei"? Se não, porquê? Que tipo de desculpas esfarrapadas usa para racionalizar o seu comportamento?

 

 

TERÇA, 24 de Agosto                    CARNE VERSUS ESPÍRITO

 

 

"Porque, os que são segundo a carne, inclinam-se para as coisas da car­ne; mas, os que são segundo o espírito, para as coisas do espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do espírito é vida e paz." Romanos 8:5 e 6. Pense nestes textos. Que mensagem básica nos chega por seu intermédio? O que é que lhe dizem a si sobre a forma como está a viver a sua vida?

 

"Segundo", neste texto, é um termo utilizado no sentido de "de acordo com" (do grego kata). "Inclinam-se" significa aqui voltar a mente para alguma coisa. Um grupo de pessoas volta a mente para o cumprimento de desejos naturais; o outro volta a mente para as coisas do Espírito, para seguir as Suas orientações. Uma vez que é a mente que determina os actos, os dois grupos vivem e agem de maneira diferente.

 

O que é que a mente carnal é incapaz de fazer? Rom. 8:7 e 8.

 

Ter a mente voltada para o cumprimento de desejos da carne é, na realidade, estar num estado de inimizade contra Deus. Aquele cuja mente tem essa inclina­ção, ou tendência, não está preocupado com o fazer a vontade de Deus. Essa pessoa pode até estar em rebelião contra Ele, desprezando abertamente a Sua lei.

Paulo deseja especialmente realçar que, separados de Cristo, é impossível guardar a lei de Deus. O apóstolo volta vez após vez a este tema: por muito ardu­amente que alguém tente, separado de Cristo, ninguém consegue obedecer à lei.

O objectivo especial de Paulo era convencer os Judeus de que eles preci­savam de algo mais do que a sua "Tora" (lei). Pela sua conduta, eles tinham mostrado que, apesar de terem a revelação divina, eram culpados dos mesmos pecados que os Gentios (Romanos 2). A lição a tirar de tudo isto era que eles precisavam do Messias. Sem Ele, seriam escravos do pecado, incapazes de escapar ao seu domínio.

Esta foi a resposta dada por Paulo aos judeus que não conseguiam compre­ender por que razão aquilo que Deus lhes dera no Antigo Testamento já não era o suficiente para a salvação. O apóstolo admitia que aquilo que eles tinham an­dado a fazer era tudo bom, mas também precisavam de aceitar o Messias que, naquela altura, já tinha vindo.

 

Pense nas suas últimas 24 horas. As suas acções foram do Espírito ou da carne? O que é que a sua resposta lhe diz sobre si mesmo? Se da carne, que mudanças deve fazer e como é que as consegue fazer?

 

 

QUARTA, 25 de Agosto                 O ESPÍRITO EM NÓS

 

 

Paulo prossegue com o seu tema, contrastando as duas possibilidades que as pessoas enfrentam na forma como vivem: ou segundo o Espírito, isto é, o Es­pírito Santo de Deus, que nos está prometido, ou de acordo com a sua natureza pecaminosa e carnal. Uma conduz à vida eterna, a outra à morte eterna. Não há meio-termo. Ou, como o próprio Senhor Jesus disse: "Quem não é Comigo é contra Mim; e quem Comigo não ajunta espalha" (Mateus 12:30). É difícil ser mais claro, ou mais preto no branco, do que isto.

 

Leia Romanos 8:9-14. O que é prometido àqueles que se entregam com­pletamente a Cristo?

 

A vida "na carne" é posta em contraste com a vida "no Espírito". A vida "no Es­pírito" é controlada pelo Espírito de Deus, o Espírito Santo. Ele é, neste capítulo, chamado o Espírito de Cristo, talvez no sentido em que Ele é um representante de Cristo e que por Seu intermédio Cristo habita no crente (vs. 9 e 10).

Nestes versículos, Paulo volta à figura que utilizou em Romanos 6:1-11. Figu­rativamente, no baptismo, "o corpo do pecado", isto é, o corpo que servia ao pe­cado, é destruído. O "homem velho foi com Ele crucificado" (v. 6). Contudo, como no baptismo, não há apenas um sepultamento, mas também uma ressurreição, pelo que a pessoa baptizada ressurge para andar em novidade de vida. Isto quer dizer matar o velho eu, uma escolha que temos, nós mesmos, de fazer dia após dia, momento a momento. Deus não destrói a liberdade humana. Mesmo depois do velho homem do pecado estar destruído, ainda é possível pecar. O apóstolo escreveu assim aos Colossenses: "Mortificai, pois, os vossos membros, que es­tão sobre a terra" (Col. 3:5).

Por isso, depois da conversão ainda vai continuar a haver conflito com o pe­cado. A diferença é que a pessoa em quem habita o Espírito terá agora o poder divino para a vitória. Além disso, uma vez que a pessoa foi miraculosamente libertada do domínio do pecado, está sob a obrigação de nunca mais voltar a servir o pecado.

 

Dedique algum tempo a pensar nesta ideia de que o Espírito de Deus, que ressuscitou Jesus dentre os mortos, é o mesmo que habita em nós, se consentirmos que Ele o faça. Pense no poder que temos aí à nossa dispo­sição! O que é que nos impede de nos apropriarmos dele como devíamos?

 

 

QUINTA, 26 de Agosto                   ADOPÇÃO VERSUS ESCRAVIDÃO

 

 

De que modo descreve Paulo o novo relacionamento em Cristo? Rom. 8:15. Que esperança encontramos nesta promessa? Como é que a torna­mos real na nossa vida?

 

O novo relacionamento é descrito como libertação do temor. O escravo está na escravidão. Vive num estado de constante temor em relação ao seu amo. Sabe que nada tem a ganhar dos longos anos do seu serviço.

As coisas não se passam assim com aquele que aceita Jesus Cristo. Em pri­meiro lugar, essa pessoa presta serviço voluntário. Em segundo, serve sem temor, pois "o perfeito amor lança fora o temor" (I João 4:18). Em terceiro lugar, adoptado como filho, esse indivíduo torna-se herdeiro de uma herança de valor infinito.

"O espírito de escravidão é gerado pela tentativa de viver de acordo com a religião legal, através do esforço para cumprir os requisitos da lei pela nossa própria força. Só existe esperança para nós na medida em que estejamos sob o concerto abraâmico, que é o concerto da graça pela fé em Cristo Jesus." – Co­mentários de Ellen G. White, SDABC (Comentário Bíblico ASD), vol. 6, p. 1077.

 

O que é que nos dá a certeza de que Deus na verdade nos aceitou como filhos? Rom. 8:16.

 

O testemunho interior do Espírito confirma a nossa aceitação. Ainda que não seja seguro viver meramente pelos sentimentos, aqueles que, segundo o melhor da sua compreensão, seguem a luz da Palavra ouvirão uma voz autenticando a certeza que têm de que foram aceites como filhos de Deus.

Romanos 8:17 diz-nos, de facto, que somos herdeiros, isto é, somos parte da família de Deus e, como herdeiros, como filhos, recebemos uma herança mara­vilhosa do nosso Pai. Não a ganhamos; é-nos dada por virtude do novo estatuto que temos em Deus, um estatuto que nos é concedido mediante a Sua graça, a qual nos foi tornada acessível graças à morte de Jesus em nosso favor.

 

Pessoalmente, quão perto está de Deus? Conhece-O realmente, ou só sabe algumas coisas a Seu respeito? Que mudanças tem de fazer na sua vida a fim de ter uma comunhão mais próxima com o seu Criador e Reden­tor? O que é que o/a impede, e porquê?

 

 

SEXTA, 27 de Agosto

 

 

ESTUDO ADICIONAL: Leia de Ellen G. White, "Reformadores Ingleses Postertio­res", pp. 207-222 (capítulo 14), em O Grande Conflito (ed. P. SerVir); "O Baptis­mo", p. 81-84; "Em Cafarnaum", pp. 201-209; "Não se Turbe o Vosso Coração", pp. 567-582, em O Desejado de Todas as Nações (ed. P. SerVir); "Semelhante ao Fermento", pp. 95-98, em Parábolas de Jesus; "Cartas a Médicos", pp. 126-129, em Testemunhos para a Igreja, vol. 8.

"O plano da salvação não oferece aos crentes uma vida isenta de sofrimento e provações enquanto neste lado do reino. Pelo contrário, convida-os a seguir Cristo na mesma vereda de auto-negação e opróbrio. … É mediante essas provações e perseguições que o carácter de Cristo é reproduzido e revelado no Seu povo. … É pela partilha dos sofrimentos de Cristo que somos educados e disciplinados e preparados para ter parte nas glórias da vida futura." – SDABC (Comentário Bíblico ASD), vol. 6, pp. 568, 569.

"A corrente que foi lançada do trono de Deus é suficientemente longa para atingir as mais baixas profundidades. Cristo é capaz de erguer o maior pecador do fosso da degradação e de o colocar onde ele vai ser reconhecido como filho de Deus, herdeiro com Cristo de uma herança imortal." – Ellen G. White, Testemunhos para a Igreja, vol. 7, p. 229.

"Alguém honrado por todo o Céu veio a este mundo para, revestido da natureza humana, Se colocar à cabeça da humanidade, testificando aos anjos caídos e aos habitantes dos mundos não caídos que, pelo auxílio divino que foi provido, todos podem andar na vereda da obediência aos mandamentos de Deus. …

"O nosso resgate foi pago pelo nosso Salvador. Ninguém precisa de ser escravi­zado por Satanás. Cristo está presente como nosso ajudador todo-poderoso." – El­len G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 309.

 

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO:

 

Leia de novo as citações de Ellen G. White nesta secção de Sexta-feira. Que esperança podemos retirar delas para nós mesmos? Mais importante, como é que podemos tornar estas promessas de vitória uma realidade na nos­sa vida? Por que razão, com tanto que nos é oferecido em Cristo, continuamos a fracassar naquilo que realmente podíamos ser?

Quais são algumas maneiras práticas de ocupar a mente cada dia "se­gundo … as coisas do Espírito" (Rom. 8:5)? O que é que isto quer dizer? O que é que o Espírito deseja? O que é que pessoalmente vê, lê ou pensa, capaz de tornar difícil que isto seja alcançado na sua vida?

Dedique mais algum tempo a esta ideia de que nós estamos ou num lado ou no outro do grande conflito, sem haver meio-termo. Quais são as impli­cações deste facto nu e cru? De que modo deve a compreensão desta impor­tante verdade influenciar a forma como vivemos e as escolhas que fazemos, mesmo nas "pequenas" coisas?