LIÇÃO 8                     15 a 21 de Agosto de 2010

 

 

 

 

 

O Homem de Romanos 7

 

 

 

[Sábado]   [Domingo]   [2ª.Feira]   [3ª.Feira]   [4ª.feira]   [5ª.feira]   [6ª.feira]

 

 

 

SÁBADO À TARDE

 

LEITURA PARA O ESTUDO DA SEMANA: Romanos 7.

 

VERSO ÁUREO: "Mas agora, estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espí­rito, e não na velhice da letra." Romanos 7:6.

 

POUCOS CAPÍTULOS NA BÍBLIA CAUSARAM MAIS controvérsia do que Romanos 7. A propósito das questões envolvidas, o SDABC (Comentário Bíblico ASD) diz: "O significado dos vs. 14-25 tem sido um dos problemas mais discuti­dos em toda a epístola. As principais questões têm a ver com a descrição desse intenso conflito moral poder ser autobiográfica e, se assim for, se a passagem se refere à experiência de Paulo antes ou depois da sua conversão. Que Paulo está a falar do seu próprio conflito pessoal com o pecado parece evidente partindo do significado mais simples das suas palavras (cf. os vs. 7-11; [Ellen G. White, Aos Pés de Cristo, p. 17 (edição P. A., 2001); Ellen G. White, Testemunhos para a Igreja, vol. 3, p. 475]). Também é certamente verdade que ele está a descre­ver um conflito que é mais ou menos vivido por toda a alma confrontada por e despertada para as reivindicações espirituais da santa lei de Deus." – SDABC (Comentário Bíblico ASD), vol. 6, p. 553.

Os estudiosos da Bíblia diferem quanto a Romanos 7 ter sido a experiência de Paulo antes ou depois da conversão. Seja qual for a posição que se assuma, o que é importante é que a justiça de Jesus nos cobre e que, na Sua justiça, com­parecemos perfeitos diante de Deus, que promete santificar-nos, dar-nos a vitória sobre o pecado e tornar-nos conformes à "imagem do Seu Filho" (Rom. 8:29). Es­tes são os pontos cruciais que devemos conhecer e experimentar ao procurarmos espalhar "o evangelho eterno" a "toda a nação, tribo, língua e povo" (Apoc. 14:6).

 

 

DOMINGO, 15 de Agosto               PRESOS À LEI?

 

 

Leia Romanos 7:1-6. Que ilustração usa Paulo nesta passagem para mostrar aos seus leitores a sua relação com a lei, e que conclusão tira ele dessa ilustração?

 

A ilustração que o apóstolo usa em Romanos 7:1-6 é de certo modo elaborada, mas uma análise cuidadosa da passagem ajudar-nos-á a seguir o seu raciocínio.

No contexto geral da carta, o apóstolo estava a tratar do sistema de culto es­tabelecido no Sinai; é frequentemente a isso que ele se refere com a palavra lei. Os Judeus tiveram dificuldade em aceitar o facto de que este sistema, que lhes fora dado por Deus, devia chegar ao fim com a vinda do Messias. É com isso que o apóstolo Paulo está a lidar aqui – crentes judeus que ainda não estavam prontos para abandonar algo que fora uma parte tão importante da sua vida.

Em essência, a ilustração utilizada pelo apóstolo é como se segue: Uma mu­lher está casada com um homem. A lei estabelece que ela está ligada a ele enquanto ele viver. Durante a vida dele, ela não pode unir-se a outros homens. Quando ele morrer, porém, ela é livre da lei que a prendia a ele (v. 3).

 

De que modo aplica o apóstolo esta ilustração da lei do matrimónio ao sistema do Judaísmo? Rom. 7:4 e 5.

 

Assim como a morte do marido liberta a mulher da lei do marido, também a morte da velha vida na carne, mediante Jesus Cristo, liberta os Judeus da lei que se esperava que eles guardassem até que o Messias desse cumprimento aos seus tipos.

Agora, os Judeus estavam livres para "casar de novo". Eram convidados a casar-se com o Messias ressuscitado e, dessa forma, dar fruto para Deus. Esta ilustração foi mais um meio utilizado por Paulo para convencer os Judeus de que agora eram livres de abandonar o velho sistema.

Mais uma vez, e considerando tudo o mais que o apóstolo Paulo e a Bíblia dizem sobre a obediência aos Dez Mandamentos, não faz sentido afirmar aqui que Paulo estava a dizer aos crentes judeus que os Dez Mandamentos já não estavam em vigor. Aqueles que utilizam estes textos para tentar tirar essa con­clusão – de que a lei moral foi abolida – não pretendem realmente chegar a essa conclusão; o que na verdade querem dizer é que só o Sábado, o sétimo dia, é que foi abolido, não o resto da lei. Ver nestes versículos o ensino de que o quarto mandamento foi abolido, ou anulado ou substituído pelo Domingo, é atribuir-lhes um significado que as palavras nunca tiveram a intenção de ter.

 

 

SEGUNDA, 16 de Agosto              É A LEI PECADO?

 

 

Se Paulo está a falar de todo o sistema legal do Sinai, que dizer de Romanos 7:7, onde especificamente ele menciona um dos Dez Mandamentos? Isto não refuta a posição, assumida ontem, de que ele não estava a falar da abolição dos Dez Mandamentos?

A resposta é Não. Devemos ter presente, mais uma vez, que a palavra lei para Paulo era todo o sistema estabelecido no Sinai, o qual incluía a lei moral, mas que não se limitava a ela. Daí que o apóstolo pudesse citar a lei moral, bem como qualquer outra secção de todo o regime judaico, a fim de tirar as suas con­clusões. Contudo, quando o sistema desapareceu com a morte de Cristo, isso não incluía a lei moral, a qual já existia antes do Sinai e continua a existir também depois do Calvário.

 

Leia Romanos 7:8-11. Qual é aqui a mensagem de Paulo sobre a relação entre a lei e o pecado?

 

Deus revelou-Se aos Judeus, dizendo-lhes em pormenor o que era certo e o que era errado em questões morais, civis, cerimoniais e de saúde. Explicou-lhes também os castigos pela violação dessas várias leis. A violação da vontade re­velada de Deus é aqui definida como pecado.

Assim sendo, explica Paulo, ele nunca teria sabido que cobiçar era pecado se não tivesse sido informado desse facto pela "lei". Uma vez que o pecado é a vio­lação da vontade revelada de Deus, onde a vontade revelada é desconhecida, não há percepção de pecado. Quando essa vontade revelada é dada a conhecer a uma pessoa, esta reconhece que é pecadora e que está debaixo da condena­ção e da morte. Neste sentido, a pessoa morre.

Na linha de argumentação de Paulo neste passo, e ao longo de toda esta sec­ção, ele procura construir uma ponte que leve os Judeus – que reverenciavam a "lei" – a ver Cristo como o cumprimento da mesma. Ele mostra que a lei foi neces­sária, mas que a sua função era limitada. A lei destinava-se a apontar a necessi­dade de salvação; nunca teve o propósito de ser o meio de obtenção da salvação.

"O apóstolo Paulo, ao relatar a sua experiência, apresenta uma importante verdade a respeito da obra a ser realizada na conversão. Diz ele: ‘No passado, eu estava vivo sem a lei’ – ele não sentia nenhuma condenação; ‘mas quando chegou o mandamento’, quando a lei de Deus foi trazida à sua consciência, ‘o pecado reviveu, e eu morri’. Foi então que se viu a si mesmo como pecador, condenado pela lei divina. Note-se, foi Paulo, e não a lei, que morreu." – Comen­tários de Ellen G. White, SDABC (Comentário Bíblico ASD), vol. 6, p. 1076.

 

Em que sentido é que, pessoalmente, já "morreu" perante a lei? De que modo, nesse contexto, consegue perceber o que Jesus fez por si ao dar-lhe uma nova vida n’Ele?

 

 

TERÇA, 17 de Agosto                    A SANTA LEI

 

 

Leia Romanos 7:12. Como é que entende este texto no contexto daquilo que Paulo tem estado a analisar?

 

Uma vez que os Judeus reverenciavam a lei, o apóstolo exalta-a de todas as maneiras possíveis. A lei é boa por aquilo que faz, mas não consegue fazer aquilo para que não foi planeada – salvar-nos do pecado. Para isso, necessita­mos de Jesus, porque a lei – quer todo o sistema judaico quer a lei moral em particular – não pode salvar. Unicamente Cristo e a Sua justiça, que nos chega pela fé, o podem fazer.

 

A quem é que Paulo culpa pela sua condição de "morte", e o que é que ele desobriga? Por que razão esta diferença é importante? Rom. 7:13.

 

Neste versículo, o apóstolo apresenta a "lei" no melhor sentido possível. Ele decide culpar o pecado, não a lei, pela sua terrível condição de pecador, isto é, a sua prática de "toda a concupiscência" (v. 8). A lei é boa, pois é o padrão de Deus para a nossa conduta, mas como pecador, Paulo estava condenado diante dela.

 

Por que razão foi o pecado tão bem sucedido em mostrar o apóstolo Paulo como um terrível pecador? Rom. 7:14 e 15.

 

Carnal significa com inclinação para a carne. Por isso, o apóstolo necessitava de Jesus Cristo. Unicamente Jesus Cristo podia remover a condenação (Rom. 8:1). Unicamente Jesus Cristo o podia libertar da escravidão do pecado.

Paulo descreve-se a si mesmo como estando "vendido sob o pecado". Ele é um escravo do pecado. Não tem qualquer liberdade. Não consegue fazer aquilo que quer fazer. Ele tenta fazer o que a boa lei lhe diz para fazer, mas o pecado não o deixa.

Com esta ilustração, o apóstolo estava a tentar mostrar aos Judeus o quanto necessitavam do Messias. Ele já mostrara que essa vitória só é possível debaixo da graça (Rom. 6:14). O mesmo pensamento é realçado de novo em Romanos 7. Viver debaixo da "lei" significa escravatura sob o pecado, um impiedoso tirano.

 

Qual tem sido a sua própria experiência com a forma como o pecado escraviza? Já alguma vez procurou brincar com o pecado, pensando que o podia controlar como quisesse, e acabou por se encontrar debaixo de um vil e impiedoso dominador? Bem-vindo à realidade! Por que razão deve, então, render-se a Jesus e morrer diariamente para o eu?

 

 

QUARTA, 18 de Agosto                 O HOMEM DE ROMANOS 7

 

 

"E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que, agora, já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim." Romanos 7:16 e 17. Que conflito nos é apresentado nestes versículos?

Usando a lei como um espelho, o Espírito Santo convence a pessoa de que está a desagradar a Deus por não estar a cumprir os requisitos da lei. Pelos esforços pessoais para cumprir esses requisitos, o pecador mostra que está de acordo em que a lei é boa.

 

Que conclusões já apresentadas pelo apóstolo repetiu ele agora para maior ênfase? Rom. 7:18-20.

 

A fim de impressionar uma pessoa com a sua necessidade de Cristo, o Es­pírito Santo conduz essa pessoa por uma experiência do tipo "velho concerto". Ellen G. White descreve a experiência de Israel da seguinte maneira: "O povo não compreendia a condição pecaminosa dos seus corações, que sem Cristo lhes era impossível guardar a lei de Deus e prontamente entraram em concerto com Deus. Entendendo que eram capazes de estabelecer a sua própria justiça, declararam: ‘Tudo o que o Senhor tem dito faremos, e obedeceremos.’ Êxodo 24:7. … E, no entanto, passadas algumas semanas, violaram o seu concerto com Deus e curvaram-se para adorar uma imagem esculpida. Não poderiam esperar o favor de Deus mediante um concerto que tinham violado. Agora, vendo a sua índole pecaminosa e a necessidade que tinham de perdão, foram levados a sentir que necessitavam do Salvador revelado no concerto feito com Abraão e prefigurado nas ofertas sacrificiais." – Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 329 (1ª ed. P. Servir).

Infelizmente, ao não renovarem a sua dedicação a Cristo diariamente, muitos cristãos estão, de facto, a servir o pecado, por muito que lhes possa repugnar admiti-lo. Racionalizam que, na realidade, estão a passar pela experiência nor­mal da santificação e que simplesmente ainda têm um longo caminho a percor­rer. Dessa forma, em vez de levarem os pecados conhecidos a Cristo e de Lhe pedirem a vitória sobre os mesmos, escondem-se atrás de Romanos 7, que lhes diz, pensam eles, que é impossível fazer o bem. Na verdade, este capítulo está a dizer que é impossível fazer o bem quando uma pessoa está escravizada pelo pecado, mas que a vitória é possível em Jesus Cristo.

 

Está pessoalmente a ter as vitórias sobre o eu e o pecado que Cristo nos promete? Se não, porquê? Que escolhas erradas está, pessoalmente, a fazer, sem ‘ajuda’ de mais ninguém?

 

 

QUINTA, 19 de Agosto                   LIVRE DA MORTE

 

 

Leia Romanos 7:21-23. De que maneiras já experimentou na sua própria vida este mesmo conflito, mesmo sendo um cristão?

 

Paulo, nesta passagem, compara a lei nos seus membros (o seu corpo) com a lei do pecado. "Com a carne", diz o apóstolo, ele servia "a lei do pecado" (Rom. 7:25). Só que servir o pecado e obedecer à sua lei significa morte (veja vs. 10, 11 e 13). Daí que o seu corpo – como estava então a funcionar em obediência ao pecado – podia muito apropriadamente ser descrito como "o corpo desta morte".

A lei do espírito é a lei de Deus, a revelação da Sua vontade feita por Deus. Sob a convicção do Espírito Santo, Paulo concordava com esta lei. A sua mente escolhia guardá-la, mas, quando tentava, não conseguia, porque o seu corpo queria pecar. Quem é que não sentiu já esse mesmo conflito? Na nossa mente, sabemos o que queremos fazer, mas a carne clama por outra coisa.

 

Como é que podemos ser resgatados desta difícil situação em que nos encontramos? Rom. 7:24 e 25.

 

Há quem se tenha interrogado sobre a razão por que, depois de chegar ao glorioso clímax na expressão "Dou graças a Deus, por Jesus Cristo, nosso Se­nhor", Paulo se volta a referir uma vez mais aos conflitos da alma, dos quais aparentemente tinha sido libertado. Alguns entendem a expressão de gratidão e louvor como uma exclamação parentética. Acreditam que essa exclamação se segue naturalmente ao grito, "quem me livrará?" Defendem essas pessoas que, antes de prosseguir com uma análise alargada da gloriosa libertação (Romanos 8), o apóstolo sintetiza aquilo que disse nos versículos anteriores e confessa, uma vez mais, o conflito contra as forças do pecado.

Outros sugerem que ao dizer "eu mesmo", o apóstolo quer dizer "abandonado a mim mesmo, deixando Cristo de fora". Como quer que estes versículos se­jam entendidos, um ponto tem de permanecer muito claro: abandonados a nós mesmos, sem Cristo, somos impotentes contra o pecado. Com Cristo, temos uma nova vida n’Ele, uma vida na qual – embora o eu se erga constantemente – as promessas de vitória são nossas se decidirmos reclamá-las. Assim como ninguém pode respirar, ou tossir, ou espirrar em nosso lugar, também ninguém pode decidir por nós rendermo-nos a Cristo. Só nós podemos fazer essa esco­lha. Não há outro meio de alcançarmos para nós mesmos as vitórias que nos são prometidas em Jesus.

 

 

SEXTA, 20 de Agosto

 

 

ESTUDO ADICIONAL: Leia de Ellen G. White, "A Lei Perfeita", pp. 212-215; "Um divino Portador de Pecados", pp. 308-310, em Mensagens Escolhidas, vol. 1; "A Cura da Alma", pp. 84, 85; "A Importância de Buscar o Verdadeiro Conhecimento", pp. 452-454, em A Ciência do Bom viver; "A Vitória de Cristo Redime o Pecado de Adão", p. 323, em Minha Consagração Hoje (Meditações Matinais).

"Não há segurança nem repouso nem justificação na transgressão da lei. Não pode o homem esperar comparecer inocente diante de Deus e em paz com Ele, mediante os méritos de Cristo, se ao mesmo tempo continua em pecado." – Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 213.

"Paulo deseja que os seus irmãos vejam que a grande glória de um Salvador perdoador do pecado deu significância a todo o regime judaico. Desejava ele que vissem também que, quando Cristo veio ao mundo e morreu como sacrifício em favor do homem, o tipo encontrou o antítipo.

"Depois de Cristo morrer na cruz como oferta pelo pecado, a lei cerimonial não podia ter força nenhuma. Contudo, estava ligada à lei moral, e era gloriosa. O todo tinha o selo da divindade e expressava a santidade, a justiça e a equidade de Deus. E se a aplicação daquele regime que devia ser abolido era gloriosa, quanto mais gloriosa devia ser a realidade, quando Cristo se revelou, dando a todos os que crêem o Seu Espírito doador de vida e santificador." – Comentários de Ellen G. White, SDABC (Comentário Bíblico ASD), vol. 6, p. 1095.

 

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO:

 

Quem acha que é o homem de Romanos 7? Paulo, antes ou depois da conversão? Ou estará este capítulo a falar de uma coisa totalmente di­ferente? Que justificação tem para a sua resposta? Analisem na classe as respostas dadas.

Como é que se explica o facto de mesmo cristãos, baptizados e nas­cidos de novo, se confrontarem com o pecado? Não devíamos nós auto­maticamente vencer todas as coisas? Ou estaremos sempre a pecar? Ou a resposta está algures no meio?

Que perigos potenciais surgem a partir da opinião de que, como cris­tãos, vamos sempre estar a pecar, sempre a cair, sempre a violar a lei de Deus, haja o que houver? Por outro lado, que perigos potenciais surgem a partir da opinião de que, como cristãos, devemos vencer todas as coisas erradas na nossa vida, todo o mau pensamento, toda a tendência incorrecta, haja o que houver, senão não seremos salvos?

No fim de tudo, independentemente da posição que as pessoas assu­mam sobre o homem de Romanos 7, que promessas podemos retirar desse capítulo para nós mesmos, capazes de nos ajudarem a compreender o que significa ser seguidores de Jesus?