LIÇÃO 5                     25 a 31 de Julho de 2010

 

 

 

 

 

A Justificação e a Lei

 

 

 

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SÁBADO À TARDE

 

LEITURA PARA O ESTUDO DA SEMANA: Génesis 15:6; II Samuel 11 e 12; Romanos 3:20-23 e 31; 4:1-17; Gálatas 3:19; I João 3:4.

 

VERSO ÁUREO: "Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei." Romanos 3:31.

 

EM MUITOS ASPECTOS, ROMANOS 4 vai até aos fundamentos da doutrina bíblica da salvação unicamente pela fé. Ao recorrer a Abraão – um modelo de santidade e virtude – como exemplo de alguém que necessitava de ser salvo pela graça, sem as obras da lei, Paulo deixou os leitores sem espaço para mal- -entendidos. Se as obras e observância da lei, por parte do melhor dos homens, não eram o suficiente para o justificar diante de Deus, que esperança pode ter qualquer outro? Se teve de ser pela graça com Abraão, tem de ser da mesma maneira com todos os outros, Judeus e Gentios.

Em Romanos 4, o apóstolo Paulo revela três fases principais no plano da salvação: (1) a promessa da bênção divina (a promessa da graça); (2) a respos­ta humana a essa promessa (a resposta da fé); e, finalmente, (3) a declaração divina de justiça creditada àqueles que crêem (a justificação). Foi assim que funcionou com Abraão e é assim que funciona connosco.

É fundamental lembrar que, para Paulo, a salvação é pela graça; é algo que nos é concedido, por muito indignos que sejamos. Se a merecêssemos, então ser-nos-ia devida e, se nos fosse devida, seria uma dívida e não uma dádiva. Ora, para seres corruptos e caídos como somos, a salvação tem de ser uma dádiva.

Para provar a conclusão que tirou sobre a salvação unicamente pela fé, Paulo vai tão atrás quanto possível, até ao livro de Génesis, citando Génesis 15:6: "E creu [Abraão] no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça." Aqui está a justifica­ção pela fé numa das primeiras páginas da Bíblia.

 

 

DOMINGO, 25 de Julho                              A LEI CONFIRMADA

 

 

Leia Romanos 3:31. Qual é a conclusão que Paulo aí tira? Por que motivo esta conclusão é importante para nós como Adventistas?

 

Nesta passagem, o apóstolo afirma enfaticamente que a fé não invalida a lei de Deus. Mesmo aqueles que observaram a lei, a totalidade da lei do Antigo Testamento, nunca foram salvos por essa observância. A religião do Antigo Tes­tamento, como a do Novo, foi sempre uma religião da graça de Deus concedida aos pecadores pela fé.

 

Leia Romanos 4:1-8. De que modo isto demonstra que, mesmo no Antigo Testamento, a salvação era pela fé e não pelas obras da lei?

 

De acordo com esta narrativa do Antigo Testamento, Abraão foi considerado justo porque "creu em Deus". Portanto, o próprio Antigo Testamento ensina a jus­tiça pela fé. Por conseguinte, é falsa qualquer conclusão de que a fé "anula" (do grego katargeo, tornar inútil", "invalidar") a lei; a salvação pela fé é uma parte importante do Antigo Testamento. A graça é ensinada ao longo de todas as suas páginas. O que era, por exemplo, todo o ritual do santuário senão uma represen­tação da forma como são salvos os pecadores, não pelas suas próprias obras, mas pela morte de um substituto em seu lugar?

Mais ainda, o que mais pode explicar o facto de David ter sido perdoado depois do sórdido episódio com Batseba? Certamente não foi a observância da lei que o salvou, pois ele violou tantos princípios da lei que esta o condenou em muitas ocasiões. Se David tivesse de ser salvo pela lei, então nunca o seria.

Paulo apresenta a reintegração de David ao favor divino como um exemplo da justificação pela fé. O perdão foi um acto da graça de Deus. Isto é, pois, mais um exemplo da justiça pela fé no Antigo Testamento. Na realidade, por muito legalis­tas que muitos se tivessem tornado em Israel, a religião judaica foi sempre uma religião baseada na graça. O legalismo foi uma perversão dessa religião, não o seu fundamento.

 

Dedique alguns minutos ao pecado de David e à sua restauração (II Sa­muel 11 e 12; Salmo 51). Que esperança para nós mesmos se pode retirar desta triste história? Haverá aqui alguma lição sobre como nós na Igreja devemos tratar aqueles que caíram em pecado?

 

 

SEGUNDA, 26 de Julho                 GRAÇA OU DÍVIDA

 

 

A questão que Paulo trata aqui é muito mais do que simples teologia. Vai até ao íntimo e ao âmago da salvação e do nosso relacionamento com Deus. Se a pessoa acredita que deve ganhar a aceitação, que deve atingir um certo padrão de santidade antes de ser justificada ou perdoada, então é natural que se volte para dentro e se contemple a si mesma e às suas acções. A religião pode então tornar-se tremendamente centrada no eu, o que é precisamente a última coisa de que alguém precisa.

Em contrapartida, se alguém apreende o facto de que a justificação é uma dádiva de Deus, totalmente não merecida e indevida, torna-se muito mais fácil e mais natural essa pessoa voltar a sua atenção para o amor e a misericórdia de Deus em vez de para o seu ego.

E, no fim, quem é que tem mais probabilidades de reflectir o amor e o carácter de Deus, aquele que está absorvido pelo seu eu ou aquele que está envolvido com Deus?

 

Leia Romanos 4:6-8. De que modo é que Paulo amplia aqui o tema da justificação pela fé?

 

"O pecador tem de ir a Cristo, com fé, apropriar-se dos Seus méritos, depor os seus pecados sobre o Portador dos pecados e receber o Seu perdão. Foi por esta causa que Cristo veio ao mundo. Assim é imputada a justiça de Cristo ao pecador arrependido e crente. Torna-se então membro da família real, filho do Rei celestial, herdeiro de Deus e co-herdeiro com Cristo." – Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 215.

Paulo continua, então, a explicar que a salvação pela fé era não só para os Judeus, mas também para os Gentios (Rom. 4:9-12). Na realidade, se quisermos ser muito técnicos a este respeito, Abraão nem sequer era judeu; os seus ante­passados eram pagãos (Jos. 24:2). Não havia naquele tempo a distinção entre Gentios e Judeus. Quando Abraão foi justificado (Gén. 15:6), nem sequer era cir­cuncidado. Por conseguinte, Abraão tornou-se o pai tanto dos não circuncidados como dos circuncidados, bem como um grande exemplo, que o apóstolo Paulo usou para provar a universalidade da salvação. A morte de Cristo foi para toda a gente, independentemente de etnia ou nacionalidade (Heb. 2:9).

 

Atendendo à universalidade da Cruz, considerando o que a Cruz nos diz sobre o valor de cada ser humano, por que razão o preconceito racial ou étnico ou nacional é uma coisa tão horrível? De que modo se aprende a reconhecer a presença de preconceito em nós mesmos, e como é que, mediante a graça de Deus, o podemos expurgar da nossa mente?

 

 

TERÇA, 27 de Julho                                   PROMESSA E LEI

 

 

"Porque, a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo, não foi feita pela lei a Abraão, ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé." Ro­manos 4:13.

 

Neste versículo, "promessa" e "lei" são postas em contraste. Paulo procurava estabelecer uma base do Antigo Testamento para o seu ensino da justiça pela fé. Encontrou o exemplo de Abraão, a quem todos os Judeus aceitavam como seu antepassado. A aceitação ou a justificação tinham sido dadas a Abraão indepen­dentemente da lei. Deus fez a Abraão a promessa de que ele devia ser o "herdei­ro do mundo". Abraão creu nessa promessa; isto é, aceitou a função que nisso estava implícita. Em resultado disso, Deus aceitou-o e actuou por meio dele para salvar o mundo. Este facto continua a ser um extraordinário exemplo de como a graça estava a operar no Antigo Testamento, razão essa por que, sem dúvida, o apóstolo Paulo o utilizou.

 

Leia Romanos 4:14-17. De que maneira Paulo continua a demonstrar aqui a forma como a salvação pela fé ocupava um lugar central no Antigo Testa­mento? Veja também Gál. 3:7-9.

 

É importante lembrar, como foi dito no princípio, a quem é que Paulo estava a escrever. Aqueles crentes judeus estavam imersos na lei do Antigo Testamen­to, e muitos chegaram ao ponto de acreditar que a sua salvação assentava na forma como guardavam a lei, embora não fosse isso o que o Antigo Testamento ensinava.

Ao procurar remediar este conceito errado, Paulo argumentou que Abraão, mesmo antes da lei ser dada no Sinai, recebera as promessas, não pelas obras da lei (o que teria sido muito difícil, uma vez que a lei – toda a Tora e o sistema cerimonial – nem sequer estavam ainda instituídos), mas pela fé.

Se o apóstolo se estava aqui a referir exclusivamente à lei moral, a qual existia em princípio mesmo antes do Sinai, a conclusão permanece a mesma. Talvez até ainda com mais razão! Procurar receber as promessas de Deus por meio da lei, disse ele, anula a fé, torna-a mesmo inútil. São palavras muito fortes, mas o que ele estava a defender é que a fé salva, e a lei condena. Ele tentava ensinar a futilidade de procurar a salvação por meio daquilo que leva à condenação, uma vez que todos nós, Judeus e Gentios, violámos a lei e, por conseguinte, todos nós precisamos da mesma coisa que Abraão precisava: que nos seja creditada, pela fé, a justiça redentora de Jesus.

 

 

QUARTA, 28 de Julho                                LEI E FÉ

 

 

Como vimos ontem, o apóstolo Paulo demonstrou que a maneira como Deus lidou com Abraão provou que a salvação vinha por meio da promessa da graça e não mediante a lei. Por conseguinte, se os Judeus queriam ser salvos, teriam de abandonar a confiança nas suas próprias obras para obter a salvação, e teriam de aceitar a promessa feita a Abraão, agora cumprida na vinda do Messias. O mesmo se passa, de facto, com toda a gente, Judeus e Gentios, que pensa que as suas "boas" obras são tudo o que é preciso para estar bem com Deus.

 

"O princípio de que o homem se pode salvar pelas suas próprias obras constituía a base de toda a religião pagã…. Onde quer que seja mantido, os homens não têm barreira contra o pecado." Ellen G. White, The Desire of Ages, pp. 35, 36 (tradução livre). O que é que isto significa? Por que razão a ideia de que nos podemos salvar a nós mesmos por meio das obras nos deixa tão vulneráveis ao pecado?

 

Como explicou Paulo a relação entre a lei e a fé em Gálatas? Gál. 3:21-23.

 

Se tivesse havido alguma lei capaz de conceder vida, certamente que teria sido a lei de Deus. Contudo, o apóstolo afirma que nenhuma lei, nem mesmo a de Deus, pode transmitir vida, pois todos violámos essa lei, pelo que todos esta­mos condenados por ela.

No entanto, a promessa da fé, mais plenamente revelada por meio de Cristo, liberta todos os que crêem de ficarem "debaixo da lei"; isto é, de serem conde­nados e sobrecarregados com a tentativa de procurar obter a salvação por meio dela. A lei torna-se um fardo quando é apresentada sem a fé, sem a graça, uma vez que, sem a fé, sem a graça, sem a justiça que vem pela fé, estar debaixo da lei significa estar debaixo do jugo e da condenação do pecado.

 

Até que ponto a justiça pela fé ocupa um ponto central na sua caminha­da com Deus? Isto é, o que é que pode fazer para garantir que ela não fica ofuscada por outros aspectos da verdade, a ponto de, pessoalmente, per­der de vista este ensino fundamental? Ao fim e ao cabo, para que servem esses outros ensinos sem este?

 

 

QUINTA, 29 de Julho                                 A LEI E O PECADO

 

 

Ouve-se com frequência pessoas dizerem que, no Novo Concerto, ou Nova Aliança, a lei foi abolida e, a seguir citam textos que acreditam que provam essa ideia. Contudo, a lógica por detrás dessa afirmação não é correcta, como também o não é a teologia.

Leia 1 João 2:3-6; 3:4; Romanos 3:20. O que é que estes textos nos dizem acerca da relação entre a lei e o pecado?

Há umas centenas de anos, o escritor irlandês Jonathan Swift escreveu: "Mas haverá algum homem que diga que, se as palavras bebedice, vigarice, mentira e roubalheira fossem, por uma Lei do Parlamento, retiradas da língua e dos dicioná­rios ingleses, todos nós acordaríamos no dia seguinte abstémios, honestos, justos e amantes da verdade? Seria isso uma consequência razoável?" – A Modest Pro­posal and Other Satires (Uma Modesta Proposta e Outras Sátiras). Nova Iorque: Prometheus Books, 1995, p. 205.

Do mesmo modo, se a lei de Deus fosse abolida, então por que razão a mentira, o homicídio e o roubo continuariam a ser pecaminosos ou errados? Se a lei de Deus foi alterada, então a definição de pecado tem de ser também mudada. Ou se a lei de Deus foi abolida, então também o pecado o foi, e quem é que acredita nisso? (Veja também I João 1:7-10; Tiago 1:14 e 15.)

No Novo Testamento, surgem tanto a lei como o evangelho. A lei mostra o que o pecado é; o evangelho aponta para o remédio para esse pecado, remédio esse que é a morte e a ressurreição de Jesus. Se não há lei, não há pecado e, então, somos salvos de quê? Só no contexto da lei, e da sua contínua validade, é que o evangelho faz sentido.

Ouvimos frequentemente dizer que a Cruz anulou a lei. O que não deixa de ser irónico, pois a Cruz demonstra que a lei não pode ser ab-rogada nem mudada. Se Deus não ab-rogou nem mudou a lei antes de Cristo ter morrido na Cruz, por que motivo o ia fazer depois? Por que razão não pôr fim à lei depois de a humanidade pecar, poupando dessa maneira a humanidade ao castigo que resulta da violação da lei? Dessa forma, Jesus nunca teria tido de morrer. A morte de Jesus demonstra que, se a lei pudesse ter sido alterada ou ab-rogada, isso teria sido feito antes, não depois, da Cruz. Assim sendo, nada demonstra mais a contínua validade da lei do que a morte de Jesus, morte que ocorreu precisamente porque a lei não podia ser mudada. Se a lei pudesse ter sido mudada para se adaptar à nossa condição de seres caídos em pecado, não teria isso sido uma melhor solução para o problema do pecado do que Jesus ter de morrer?

 

Se não houvesse nenhuma lei divina contra o adultério, causaria esse acto menos dor e sofrimento do que causa presentemente àqueles que são víti­mas dele? Até que ponto a resposta ajuda a compreender a razão por que a lei de Deus continua válida? Qual tem sido a sua própria experiência com as consequências da violação da lei de Deus?

 

 

SEXTA, 30 de Julho

 

 

ESTUDO ADICIONAL: Leia de Ellen G. White, "Cristo o Centro da Mensagem", p. 388, em Mensagens Escolhidas, vol. 1; "A Vocação de Abraão", pp. 97-103, "A Lei e os Concertos", pp. 321, 322, em Patriarcas e Profetas (1ª ed. P. SerVir); "O Sermão da Montanha", pp. 245-258; "O Conflito", pp. 511-518; "Está Consumado", pp. 647-653, em O Desejado de Todas as Nações (Ed. P. SerVir).

"Numa época de tantas diferenças sociais, quando os direitos dos homens muitas vezes não eram reconhecidos, Paulo expôs a grande verdade da fraternidade huma­na, declarando que Deus ‘criou primeiro um homem e desse homem vieram todas as raças humanas que vivem no mundo inteiro.’ À vista de Deus, todos são iguais." – El­len G. White, Actos dos Apóstolos, p. 171, (ed. P. SerVir, versão bíblica A Boa Nova).

"Para o homem ser salvo, e para ser mantida a honra da lei, foi necessário que o Filho de Deus Se oferecesse como sacrifício pelo pecado. Aquele que não conheceu pecado tornou-Se pecado por nós. Por nós morreu no Calvário. A Sua morte demons­tra o maravilhoso amor de Deus ao homem, e a imutabilidade da Sua lei." – Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 240.

"Justiça é obediência à lei. A lei requer justiça, e esta o pecador deve à lei; mas ele é incapaz de a apresentar. A única maneira como pode alcançar a justiça é pela fé. Pela fé pode ele apresentar a Deus os méritos de Cristo, e o Senhor lança a obediência do Seu Filho a crédito do pecador." – Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 367.

"Se Satanás conseguir ter êxito em levar um homem a atribuir valor às suas pró­prias obras como actos de mérito e de justiça, sabe que consegue vencê-lo com as suas tentações e fazer dele uma vítima e presa sua…. Marquem as ombreiras das portas com o sangue do Cordeiro do Calvário e estarão seguros." – Ellen G. White, Review and Herald, 3 de Setembro de 1889.

 

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO:

 

Por que razão é tão importante compreender a salvação unicamente pela fé, sem as obras da lei? De que tipo de erros pode esse conhecimento proteger--nos? Que perigos espreitam aqueles que perdem de vista este ensino bíblico fundamental?

Que outras razões pode apresentar para a contínua validade da lei de Deus, mesmo quando compreendemos que a lei e a obediência não são aquilo que nos salva?

Dedique algum tempo mais a esta ideia de que, por causa da Cruz, todos os seres humanos são iguais. Por que razão acontece tantas vezes que os cris­tãos, que têm a Cruz à sua frente, parecem esquecer esta importante verdade e se tornam culpados de preconceito racial ou étnico ou até nacional?

Como pecadores justificados, tornámo-nos os recipientes da graça e do favor imerecido da parte de Deus, contra quem pecámos. De que modo este facto deve influenciar a maneira como lidamos com os outros? Até que ponto manifestamos graça e favor para com aqueles que nos fizeram mal, que na rea­lidade não merecem a nossa graça e boa-vontade?