LIÇÃO 4                     18 a 24 de Julho de 2010

 

 

 

 

 

Justificados Pela Fé  

 

 

 

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SÁBADO À TARDE

 

LEITURA PARA O ESTUDO DA SEMANA: Romanos 3:19-28.

 

VERSO ÁUREO: "Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei." Romanos 3:28.

 

CHEGAMOS NESTA LIÇÃO AO TEMA BÁSICO DE ROMANOS: A Justifica­ção pela fé. Esta expressão é uma figura baseada na lei. O transgressor da lei está na presença de um juiz e é condenado à morte pelas suas transgressões. Mas surge um substituto que assume sobre si próprio os crimes do transgressor, inocentando dessa forma o criminoso, o qual, ao aceitar o substituto, comparece perante o juiz não apenas limpo da sua culpa, mas olhado como se nunca tives­se cometido os crimes pelos quais fora primeiramente trazido perante o tribunal. E isso acontece porque o substituto – que tem um registo perfeito – oferece ao criminoso perdoado o seu registo perfeito de observância da lei. Assim, o culpa­do está diante do juiz como nunca tendo cometido qualquer transgressão.

Ninguém afirma que tal pessoa é inocente. Pelo contrário, presume-se a sua culpa. As boas novas são de que, apesar dessa culpa, esta pessoa está perdoada.

No plano da salvação, cada um de nós é o criminoso. O substituto, Jesus, tem um registo limpo e perfeito, e Ele comparece no tribunal em nosso lugar. A Sua justiça é aceite em lugar da nossa injustiça. Por isso, somos justificados diante de Deus, não por causa das nossas obras, mas graças a Jesus, cuja justiça se torna nossa quando nós a aceitamos "pela fé". Daí o termo "justificação pela fé". Não importa qual tenha sido o nosso passado, quando aceitamos Jesus, com­parecemos diante de Deus na Sua justiça, a única justiça que nos pode salvar.

Mas que boa notícia! Na verdade, não há notícia melhor do que esta.

 

 

DOMINGO, 18 de Julho                              AS OBRAS DA LEI

 

 

Leia Romanos 3:19 e 20. O que é que Paulo diz a respeito da lei, sobre o que esta faz e o que não faz ou não pode fazer? Por que razão é muito importante que todos os crentes cristãos compreendam este ponto?

 

O apóstolo Paulo usa o termo lei no seu sentido mais amplo, tal como os Ju­deus dos seus dias o entendiam. Com o termo Torah (a palavra hebraica para "lei") qualquer judeu, mesmo dos nossos dias, pensa particularmente na instru­ção dada por Deus nos primeiros cinco livros de Moisés, mas também, de modo mais geral, em todo o Velho Testamento. A lei moral, mais a ampliação desta nos estatutos e regulamentos, bem como os preceitos cerimoniais, fazia parte dessa instrução. Atendendo a isto, podemos pensar na lei aqui como sendo o sistema do Judaísmo.

Estar debaixo da lei quer dizer estar sob a sua jurisdição. Mas a lei revela as faltas de qualquer pessoa e a culpa que tem diante de Deus. A lei não pode remover essa culpa; o que pode é levar o pecador a buscar o remédio para ela.

Ao aplicarmos o livro de Romanos nos nossos dias, quando a lei judaica dei­xou de ser um factor a ter em conta, pensamos na lei particularmente em termos de lei moral. Esta lei também não nos pode salvar mais do que podia o sistema do Judaísmo salvar os Judeus. Salvar um pecador não é função da lei moral. A função desta é revelar o carácter de Deus e mostrar às pessoas onde falham na reflexão desse carácter.

Seja qual for a lei – moral, cerimonial, civil ou todas combinadas – a obser­vância de qualquer delas ou de todas, só por si, não torna justo nenhum homem aos olhos de Deus. Na realidade, o plano não era que a lei fizesse isso. Pelo contrário, a lei devia apontar os nossos erros e conduzir-nos a Cristo.

A lei não pode salvar, do mesmo modo que os sintomas de uma doença não a conseguem curar. Os sintomas apontam para a necessidade de cura. É assim que a lei funciona.

 

Que êxito tem tido pessoalmente nas suas tentativas de observância da lei? O que é que a resposta deve indicar acerca da futilidade de procurar­mos ser salvos pela guarda da lei?

 

 

SEGUNDA, 19 de Julho                 FÉ E JUSTIÇA

 

 

"Mas agora se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemu­nho da lei e dos profetas." Romanos 3:21. Como é que devemos entender o que este texto quer dizer?

 

Esta nova justiça é contrastada com a justiça da lei, que era a justiça com que o judeu estava familiarizado. A nova justiça é chamada "a justiça de Deus", isto é, a justiça que vem de Deus, uma justiça que Deus providencia, e a única que Ele aceita como justiça autêntica.

Esta é, naturalmente, a justiça que Jesus praticou na Sua vida enquanto este­ve aqui em carne humana, uma justiça que Ele oferece a todos os que a aceitam pela fé, que a reclamam para si mesmos, não porque a mereçam, mas porque necessitam dela.

 

"Justiça é obediência à lei. A lei requer justiça, e esta o pecador deve à lei; mas ele é incapaz de a apresentar. A única maneira de poder alcançar a justiça é pela fé. Pela fé pode ele apresentar a Deus os méritos de Cristo, e o Senhor lança a obediência do Seu Filho a crédito do pecador. A justiça de Cristo é aceite em lugar do fracasso do homem, e Deus recebe, perdoa, justifica a alma arrependida e crente, trata-a como se fosse justa e ama-a tal como ama o Seu Filho." – Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 367. Como é que se aprende a aceitar para nós mesmos esta maravilhosa verdade? (Veja também Rom. 3:22.)

 

A fé de Jesus é aqui, sem dúvida, a fé em Jesus Cristo. Ao actuar na vida cris­tã, a fé é muito mais do que concordância intelectual; é mais do que um simples reconhecimento de certos factos a respeito da vida de Cristo e da Sua morte. Em vez disso, a verdadeira fé em Jesus Cristo é aceitá-l’O como Salvador, Substitu­to, Fiador e Senhor. É escolher o Seu modo de vida. É confiar n’Ele e procurar pela fé viver de acordo com os Seus mandamentos.

 

 

TERÇA, 20 de Julho                       GRAÇA E JUSTIFICAÇÃO

 

 

Tendo em mente aquilo que estudámos até aqui acerca da lei e do que a lei não consegue fazer, leia Romanos 3:24. Que nos diz Paulo neste passo? O que é que significa a redenção estar em Jesus?

O que vem a ser esta ideia de "justificar", tal como se encontra neste texto? A palavra grega dikaioo, traduzida por justificar, pode significar "tornar justo", "de­clarar justo" ou "considerar justo". A palavra tem a mesma raiz de dikaiosune, "jus­tiça", e da palavra dikaioma, "justo requisito". Daí que haja uma conexão próxima entre "justificação" e "justiça", uma ligação que nem sempre é visível em várias traduções. Nós somos justificados quando somos "declarados justos" por Deus.

Antes desta justificação, a pessoa é injusta (iníqua, pecaminosa) e, portanto, inaceitável perante Deus; depois da justificação, essa pessoa é considerada jus­ta e, logo, aceitável diante de Deus.

E isto só acontece mediante a graça de Deus. Graça quer dizer favor. Quando o pecador se volta para Deus em busca da salvação, é um acto de graça consi­derar ou declarar essa pessoa como justa. É um favor não merecido, e o crente é justificado sem qualquer mérito da sua parte, sem qualquer direito seu a apre­sentar a Deus a seu favor, além da sua extrema miséria. A pessoa é justificada por meio da redenção que há em Cristo Jesus, a redenção que Jesus oferece como substituto e fiador do pecador.

A justificação é apresentada em Romanos como um acto instantâneo, isto é, acontece num determinado ponto no tempo. Num momento o pecador está do lado de fora, injusto e iníquo, rejeitado; no momento seguinte, após a justifica­ção, essa pessoa está dentro, aceite e justa.

A pessoa que está em Cristo contempla a justificação como um acto passado, um acto que ocorreu quando ela se rendeu completamente a Cristo. "Sendo jus­tificado" (Rom. 5:1) é, literalmente, "tendo sido justificado".

É óbvio que, se o pecador justificado se afastar dessa condição e, depois, voltar a Cristo, a justificação volta a acontecer. Além disso, se a reconversão é considerada uma experiência diária, há um certo sentido em que a justificação poderá ser considerada uma experiência repetitiva.

 

Com as boas novas da salvação a serem tão boas, o que é que impede as pessoas de as aceitarem? Na sua própria vida, que tipo de coisas o/a mantêm longe de tudo o que o Senhor lhe promete e oferece?

 

 

QUARTA, 21 de Julho                    "A SUA JUSTIÇA"

 

 

Em Romanos 3:25, Paulo desenvolve a exposição da grande notícia da salva­ção. Ele utiliza uma palavra estranha, propiciação. O termo grego traduzido por esta palavra, hilasterion, ocorre no Novo Testamento unicamente aqui e em He­breus 9:5, onde é traduzido por propiciatório. Tal como é utilizada em Romanos 3:25, para descrever a oferta de justificação e de redenção por meio de Cristo, propiciação parece representar o cumprimento de tudo o que foi tipificado pelo propiciatório no santuário do Antigo Testamento. O que isto significa, então, é que, pela Sua morte sacrificial, Jesus passou a ser o meio de salvação e é repre­sentado como Aquele que providencia a propiciação. Em resumo, significa que Deus fez o que era necessário para nos salvar.

O texto fala também de "remissão dos pecados". São os nossos pecados que nos tornam inaceitáveis a Deus. Por nós mesmos, nada conseguimos fazer para cancelar os nossos pecados. No plano da redenção, porém, Deus providenciou um meio para que esses pecados sejam cancelados por meio da fé no sangue de Cristo.

A palavra para remissão é, no grego, paresis, que significa literalmente "pas­sar por alto" ou "passar ao lado". Este "passar por alto" não é de modo nenhum um ignorar dos pecados. Deus pode passar por alto os pecados do passado por­que, pela Sua morte, Cristo pagou o castigo dos pecados de todos os homens. Por conseguinte, qualquer um que tenha "fé no Seu sangue" pode ter os seus pecados pessoais cancelados, pois Cristo já morreu por eles (I Cor. 15:3).

 

Leia Romanos 3:26 e 27. Qual é a conclusão que Paulo tira aqui?

 

As boas novas que Paulo ansiava partilhar com todos os que o quisessem ouvir eram que estava disponível ao ser humano "a sua [isto é, de Deus] justiça", e que esta chega até nós, não pelas obras, não pelo nosso mérito, mas pela fé em Jesus e naquilo que Ele fez por nós.

Graças à cruz do Calvário, Deus pode declarar como justos os pecadores e, ainda assim, ser considerado justo e equitativo aos olhos do Universo. Satanás não tem possibilidade de apontar um dedo acusador a Deus, pois o Céu fez o sacrifício supremo. Satanás tinha acusado Deus de pedir à raça humana mais do que Ele estava disposto a dar. A Cruz refuta essa afirmação.

 

Satanás esperava que Deus destruísse o mundo depois de este pecar; em vez disso, Ele enviou Jesus para o salvar. O que é que isso nos diz a respeito do carácter de Deus? De que modo o conhecimento do Seu carác­ter nos deve influenciar na forma como vivemos? O que é que vai pesso­almente fazer de diferente nas próximas 24 horas em resultado directo do saber como Deus é?

 

 

QUINTA, 22 de Julho                      FÉ E OBRAS

 

 

"Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei." Romanos 3:28. Quer isto dizer que não nos é exigido obedecer à lei, mesmo que ela não nos salve? Explique a sua resposta.

 

No contexto histórico, o apóstolo Paulo, em Romanos 3:28, estava a falar da lei no seu sentido mais amplo do sistema do Judaísmo. Por muito conscienciosa­mente que um judeu procurasse viver sob este sistema, se não aceitasse Jesus como o Messias, tal pessoa não podia ser justificada.

Este versículo é a conclusão do apóstolo depois da sua afirmação de que a lei da fé exclui a jactância. Se um homem fosse justificado pelas suas próprias acções, poderia vangloriar-se a esse respeito. Mas quando ele é justificado por­que Jesus é o objecto da sua fé, então o crédito pertence claramente a Deus, que justificou o pecador.

Ellen G. White dá uma resposta interessante à pergunta: "O que é a justifica­ção pela fé?" Escreveu ela: "É a obra de Deus ao lançar a glória do homem no pó e fazer pelo homem aquilo que ele por si mesmo não pode fazer." – Testemunhos para Ministros, p. 456.

As obras da lei não podem expiar os pecados do passado. A justificação não pode ser adquirida. Pode ser recebida unicamente pela fé no sacrifício expiatório de Cristo. Por conseguinte, neste sentido, as obras da lei não têm nada a ver com a justificação. Ser justificado sem as obras quer dizer ser justificado sem haver nada em nós mesmos que mereça a justificação.

No entanto, muitos cristãos entenderam mal e aplicaram erradamente este texto. Dizem eles que tudo o que a pessoa tem de fazer é crer, ao mesmo tem­po que minimizam as obras ou a obediência, mesmo a obediência à lei moral. Procedendo assim, lêem de modo totalmente errado o que o apóstolo escreveu. No livro de Romanos, e noutros passos dos seus escritos, Paulo atribui grande importância à guarda da lei moral. Jesus também o fez sem dúvida nenhuma, tal como o fizeram os apóstolos Tiago e João (Mat. 19:17; Rom. 2:13; Tiago 2:10 e 11; Apoc. 14:12). O ponto que Paulo defende aqui é que, embora a obediência à lei não seja o meio para obter a justificação, a pessoa que é justificada pela fé continua a guardar a lei de Deus e, de facto, passa a ser a única que pode guardar a lei. Uma pessoa não regenerada, que não foi justificada, nunca pode cumprir os requisitos da lei.

 

Por que razão é tão fácil ser enredado no logro de pensar que, uma vez que a lei não nos salva, não precisamos de nos preocupar com a sua ob­servância? Já alguma vez racionalizou pessoalmente o pecado desculpan­do-se com a justificação pela fé? Por que razão esta é uma atitude muito perigosa? Ao mesmo tempo, onde é que estaríamos sem a promessa da salvação, mesmo quando tentados a abusar dela?

 

 

SEXTA, 23 de Julho

 

 

ESTUDO ADICIONAL: Leia de Ellen G. White, "A Justiça de Cristo na Lei", pp. 236-239; "Vinde, Buscai e Encontrareis", pp. 331-335; "Obediência Perfeita Por Meio de Cristo", pp. 373, 374, em Mensagens Escolhidas, vol. 1; "Coisas Novas e Velhas", pp. 128, 129, em Parábolas de Jesus.

"O carácter de Cristo toma o lugar do teu carácter, e tu és aceite perante Deus exactamente como se nunca tivesses pecado." – Ellen G. White, Aos Pés de Cris­to, p. 62 (edição P. A., p. 72).

"Graça é favor imerecido. Os anjos, que nada conhecem do pecado, não com­preendem o que seja a aplicação da graça para com eles, mas a nossa pecamino­sidade requer a concessão da graça por parte de um Deus misericordioso." – Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 1, pp. 331, 332.

"A fé é a condição sob a qual Deus achou bem prometer perdão aos pecadores; não que exista na fé qualquer virtude pela qual se mereça a salvação, mas porque a fé pode prevalecer-se dos méritos de Cristo, o remédio provido para o pecado. A fé pode apresentar a perfeita obediência de Cristo em lugar da transgressão e rebeldia do pecador. Quando o pecador crê que Cristo é o seu Salvador pessoal, então, de acordo com as Suas promessas infalíveis, Deus perdoa-lhe o pecado e justifica-o gratuitamente. A alma arrependida reconhece que a sua justificação vem porque Cristo, como seu substituto e penhor, morreu por ele, e é a sua expiação e justiça." – Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 1, pp. 366, 367.

"Conquanto a lei não possa anular a pena do pecado, mas responsabiliza o pe­cador por toda a sua dívida, Cristo prometeu perdão abundante a todos os que se arrependem e crêem na Sua misericórdia. O amor de Deus estende-se, abundante, à alma arrependida e crente. O estigma do pecado na alma só se pode apagar com o sangue do Sacrifício expiatório … d’Aquele que era igual ao Pai. A obra de Cristo – a Sua vida, humilhação, morte e intercessão pelo homem caído – engrandece a lei e torna-a gloriosa." – Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 371.

 

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO:

Releia os textos desta semana e depois escreva um parágrafo, em palavras suas, resumindo o que dizem. Partilhem os parágrafos uns com os outros na classe.

Pense no quanto custou a nossa salvação: a morte do Filho de Deus. O que é que isso nos deve dizer sobre quão mau é o pecado? Afinal, se dei­xássemos de pecar e nunca mais o voltássemos a cometer, por que razão isso ainda não seria o suficiente para nos tornar justos diante de Deus? Até que ponto estes factos ajudam a motivar-nos para resistir à tentação de pecar?

Quais são algumas maneiras de sermos tentados a abusar desta ma­ravilhosa notícia sobre a salvação unicamente por meio da fé? Em que enga­no se envolve alguém que se deixa enredar nesse tipo de pensamento? (Veja 2 Ped. 3:16; I João 3:7).