LIÇÃO 3 11 a 17 de Julho
de 2010
Judeu e Gentio
[Sábado] [Domingo] [2ª.Feira] [3ª.Feira] [4ª.feira] [5ª.feira] [6ª.feira]
LEITURA PARA O ESTUDO DA SEMANA:
Romanos 1:16, 17, 22-32; 2:1-10, 17-23; 3:1, 2, 10-18 e 23.
VERSO ÁUREO: "Todos pecaram
e destituídos estão da glória de Deus." Romanos 3:23.
A MENOS QUE UMA PESSOA RECONHEÇA
QUE É ÍMPIA, não sentirá qualquer necessidade de justificação (a declaração da
parte de Deus de que o pecador é justo aos Seus olhos). Portanto, para Paulo, o
primeiro passo na justificação é que o indivíduo se reconheça como um pecador
desamparado e sem esperança. Na formulação do seu argumento, o apóstolo
apresenta primeiro a terrível depravação dos Gentios. Estas pessoas caíram tão
baixo porque expulsaram Deus das suas memórias. Paulo mostra, a seguir, que os
Judeus são tão maus como aqueles, e a lição a tirar é que ninguém se pode
salvar a si próprio pelas suas boas obras.
Ellen White deixa isto muito claro: "Que ninguém assuma a
posição limitada e mesquinha de que qualquer das obras humanas pode contribuir
no mínimo que seja para pagar a dívida da sua transgressão. Isto é um engano
fatal. Para entender isto, deve deixar de defender as suas ideias preferidas e,
com coração humilde, dar valor à expiação.
"Este assunto é tão mal
compreendido que milhares e milhares, que afirmam ser filhos de Deus, são
filhos do maligno, porque dependem das suas próprias obras. Deus sempre
requereu boas obras, a lei exige-as, mas porque o homem se colocou em pecado,
onde as boas obras não têm qualquer valor, só a justiça de Jesus pode ter
eficácia. Cristo pode salvar totalmente, porque vive sempre para interceder por
nós." – Comentários de Ellen G. White, SDABC (Comentário Bíblico ASD), vol. 6, p. 1071.
DOMINGO,
11 de Julho NÃO
NOS ENVERGONHAMOS DO EVANGELHO
"Porque não me envergonho do
evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que
crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de
Deus, de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé." Romanos
1:16 e 17. Que mensagem têm estes versículos para si pessoalmente? Como é que
já viveu a experiência das promessas e da esperança que neles se encontram?
Há várias palavras-chave que
ocorrem nesta passagem:
1. Evangelho. Esta palavra
é a tradução de uma palavra grega que significa literalmente "boa
mensagem" ou "boas novas". Isoladamente, a palavra pode referir-se
a qualquer mensagem boa; mas modificada, como está nesta passagem pela expressão
"de Cristo", significa "as boas novas sobre o Messias"
(Cristo é uma transliteração da palavra grega que significa
"Messias"). As boas novas são que o Messias veio e os homens podem
ser salvos por crerem n’Ele. Em Jesus e na Sua
justiça perfeita – e não em nós mesmos, nem sequer na lei de Deus – pode
qualquer um encontrar a salvação.
2. Justiça. Esta palavra
refere-se à qualidade de estar "bem" com Deus. No livro de Romanos é
desenvolvido um significado especializado desta palavra, significado esse que
será realçado à medida que o estudo desta epístola avançar. Deve ser referido
que em Romanos 1:17 a palavra é qualificada pela expressão "de Deus".
É a justiça que vem de Deus, uma justiça que o próprio Deus providenciou. Como
veremos, esta é a única justiça suficientemente boa para pôr ao nosso alcance a
promessa da vida eterna.
3. Fé. No grego, as
palavras traduzidas nesta passagem por crê e fé são uma forma
verbal e uma nominal da mesma palavra: pisteuo
(crer) e pistis (crença ou fé). O
significado de fé na sua relação com a salvação será desenvolvido à medida que
progredirmos no estudo de Romanos.
Alguma vez se incomoda com a
questão da certeza? Tem ocasiões em que verdadeiramente se questiona quanto a
estar ou não salvo, ou até se tem possibilidades de o ser? O que é que provoca
esses receios? Em que é que eles se fundamentam? Estarão baseados na realidade?
Isto é, poderá estar pessoalmente a viver um estilo de vida que nega a sua
profissão de fé? Se sim, que escolhas deve fazer a fim de ter as promessas e as
certezas que se encontram para si em Jesus?
SEGUNDA, 12 de Julho
A CONDIÇÃO HUMANA
Leia Romanos 3:23. Por que razão
é tão fácil para nós, como cristãos, acreditarmos nesta mensagem hoje em dia?
Ao mesmo tempo, o que é que poderá levar algumas pessoas a porem em dúvida a
veracidade deste texto?
É deveras espantoso o facto de
haver alguns indivíduos que questionam a ideia da pecaminosidade
humana, argumentando que as pessoas basicamente são boas. O problema, porém,
resulta da falta de compreensão sobre o que é a verdadeira bondade. As pessoas
podem comparar-se com uma outra qualquer e sentir--se bem consigo próprias. Até
o gangster Al Capone era um
santo quando comparado com Adolf Hitler. No entanto,
quando nos comparamos com Deus, e com a santidade e justiça de Deus, nenhum de
nós pode sair disso com qualquer outro sentimento que não a avassaladora
sensação de auto-repugnância e de vergonha.
O versículo também refere "a
glória de Deus". A expressão tem sido interpretada de variadas maneiras.
Talvez que a interpretação mais simples seja atribuir à expressão o significado
que tem em I Coríntios 11:7, "[O homem] é a
imagem e a glória de Deus". Em grego, a palavra "glória" pode
ser equivalente de certo modo à palavra "imagem". O pecado manchou a
imagem de Deus no homem. O homem pecador está longe de reflectir a imagem ou
glória de Deus.
Leia Romanos 3:10-18. Alguma
coisa se alterou nos dias de hoje? Qual destas imagens o/a descreve melhor, ou
como é que pessoalmente seria se não fosse a presença de Cristo na sua vida?
Maus como possamos ser, a nossa
situação não é desesperada. O primeiro passo a dar é reconhecermos a nossa pecaminosidade extrema e também a nossa incapacidade de em
nós ou por nós mesmos conseguirmos fazer alguma coisa a respeito disso. É obra
do Espírito Santo despertar essa convicção. Se o pecador não Lhe resistir, o
Espírito levá-lo-á a arrancar a máscara de defesa própria, de fingimento e de auto-justificação
e a lançar-se aos pés de Cristo, clamando pela Sua misericórdia: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador" (Lucas 18:13).
Quando é que foi a última vez que
olhou com severidade e friamente para si mesmo, para os seus motivos, os seus
actos e os seus sentimentos? Esta pode ser uma experiência muito dolorosa, não
acha? Qual é a nossa única esperança?
TERÇA, 13
de Julho DO
PRIMEIRO SÉCULO ATÉ AO SÉCULO VINTE E UM
No início do século vinte, as
pessoas viviam com a ideia de que a humanidade estava a melhorar, a moralidade
estava a aumentar e a Ciência e a Tecnologia
contribuiriam para abrir as portas a uma utopia. Acreditava-se que os seres humanos
estavam essencialmente no caminho rumo à perfeição; isto é, mediante uma
educação apropriada e formação moral, os seres humanos poderiam melhorar
tremendamente, bem como a sua sociedade. Esperava-se que tudo isto começasse a
acontecer em massa, ao entrarmos nesse fantástico mundo novo do século vinte.
Infelizmente, as coisas não foram
bem assim, pois não? O século vinte foi um dos mais violentos e bárbaros de
toda a História, graças – que ironia – em grande parte, aos progressos da
Ciência, que tornaram possível as pessoas matarem-se umas às outras numa escala
que nem os loucos mais depravados do passado poderiam sequer imaginar.
Qual foi o problema?
Leia Romanos 1:22-32. De que
maneiras vemos as coisas aqui escritas, no primeiro
século, a manifestarem-se hoje em dia, no século vinte e um?
Quando a humanidade perdeu Deus
de vista, abriram-se as comportas do pecado e da degradação. Hoje em dia, nós,
cada um de nós, estamos a viver as consequências desse problema. Na realidade,
a menos que estejamos, momento a momento, ligados a Deus, tornamo-nos também
parte do problema.
Concentre-se especificamente em
Romanos 1:22 e 23. De que modo vemos este princípio a
manifestar-se actualmente? Com a rejeição de Deus, o que foi que, em Seu lugar,
os seres humanos do nosso século passaram a adorar e a idolatrar? Ao fazê-lo,
até que ponto se tornaram loucos? Leve a sua resposta para a classe no Sábado.
QUARTA, 14 de Julho
JUDEUS E GENTIOS
JUNTOS
Em Romanos 1, o apóstolo Paulo
abordou especificamente os pecados dos Gentios, os pagãos, aqueles que há muito
tempo tinham perdido Deus de vista e que, por conseguinte, tinham caído nas
mais degradantes práticas.
Mas ele não pretendia deixar de
fora o seu próprio povo, os seus concidadãos. Apesar de todas as vantagens que
tinham recebido (Rom. 3:1 e 2), eles também eram
pecadores, condenados pela lei de Deus e necessitados da graça redentora de
Cristo. Nesse sentido, no sentido de serem pecadores, de terem violado a lei de
Deus e de precisarem da graça divina para obter a salvação, Judeus e Gentios
são iguais.
Leia Romanos 2:1-3, 17-24. Qual é
a advertência que o apóstolo Paulo está aqui a fazer? Que mensagem
devemos todos nós, Judeus ou Gentios, retirar desta advertência?
"Não pensem que são melhores
do que os outros, nem se arvorem em seus juízes. Uma vez que somos incapazes de
discernir os motivos, somos incapazes de julgar os outros. Ao criticá-los,
estamos a sentenciar-nos a nós mesmos; pois mostramos estar com Satanás, o
acusador dos irmãos." – Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 258 (Ed. P. SerVir).
Normalmente, é fácil ver os
pecados dos outros e apontá-los. Com que frequência, porém, somos nós culpados
do mesmo tipo de coisas, ou até piores? O problema é que tendemos a fazer vista
grossa para nós mesmos, ou procuramos sentir-nos melhor olhando apenas para
quão maus os outros são quando comparados connosco.
Paulo não aceita nada disto. Ele
advertiu os seus concidadãos a não serem prontos na condenação dos Gentios,
pois eles, os Judeus – mesmo sendo o povo escolhido – eram pecadores, nalguns
casos ainda mais culpados do que os pagãos que tão prontamente condenavam. E
isto porque lhes fora dada mais luz do que aos Gentios.
A lição que o apóstolo tira de tudo
isto é que nenhum de nós é justo, nenhum de nós satisfaz o padrão divino,
nenhum de nós é bom por natureza nem inerentemente santo. Judeu ou gentio,
homem ou mulher, rico ou pobre, temente a Deus ou rejeitando Deus, todos
estamos condenados e, se não fosse a graça de Deus, como está revelada no
evangelho, não haveria qualquer esperança para nenhum de nós.
Até que ponto é pessoalmente um
grande hipócrita? Isto é, quantas vezes, mesmo que seja só
em pensamento, condena outros por coisas de que, pessoalmente, também é
culpado? De que modo pode fazer mudanças na sua atitude, dando atenção ao que
Paulo aqui escreveu?
QUINTA, 15
de Julho ARREPENDIMENTO
Um menino de cinco anos empurrou
a irmãzita e os pais obrigaram-no a pedir desculpas. Ele não queria e, pelo
canto da boca, sem qualquer sinceridade e com os olhos cravados no chão, apenas
sussurrou, "desculpa". Sem dúvida que não havia ali arrependimento,
pois não?
Com esta história em mente, leia
o seguinte: "Desprezas tu as riquezas da Sua benignidade, ignorando que a
benignidade de Deus te leva ao arrependimento?" Romanos 2:4. Que mensagem
nos é aí dirigida?
Devemos reparar que a bondade de
Deus, ou a Sua benignidade, leva, não força, os pecadores ao arrependimento.
Deus não recorre à coerção. Ele é infinitamente paciente e procura atrair
todos os homens pelo Seu amor. Um arrependimento forçado destruiria todo o
propósito do arrependimento, não é verdade? Se Deus forçasse o arrependimento,
então seriam todos salvos, pois por que razão iria Ele forçar alguns ao
arrependimento e outros não?
O que acontece àqueles que
resistem ao amor de Deus, que se recusam a arrepender-se e permanecem na
desobediência? Rom. 2:5-10.
Nestes versículos, e
frequentemente ao longo do livro de Romanos, Paulo salienta o lugar das boas
obras. A justificação pela fé sem recurso às obras da lei nunca deve ser
apresentada de modo a significar que as boas obras não têm lugar na vida
cristã. Por exemplo, no versículo 7, a salvação é descrita como sendo recebida
por aqueles que a procuram "com perseverança em fazer o bem". Embora
os esforços humanos não possam produzir a salvação, são parte de toda a
experiência da salvação. É difícil entender como é que alguém pode ler a Bíblia
e ficar com a ideia de que as obras e as acções não têm importância nenhuma. O
verdadeiro arrependimento, do tipo que brota de livre vontade do coração, é
sempre seguido da determinação de vencer e remover as coisas de que precisamos
de nos arrepender.
Com que frequência se encontra
pessoalmente numa atitude de arrependimento? Este é sincero, ou tende
simplesmente a sacudir as suas faltas, falhas e pecados? Se for este o caso,
como é que pode mudar a sua atitude? Porque é que deve fazer essa mudança?
ESTUDO ADICIONAL: Leia, de Ellen G. White, "A Vinha do
Senhor", pp. 291-294, em Parábolas de Jesus; "O amor de Deus
pela humanidade", pp. 9-15; "A necessidade de um Redentor", pp.
17-22, em Aos Pés de Cristo; "Em Contacto com os Outros", pp.
492-494, em A Ciência do Bom Viver; "Agentes de Satanás", pp.
146, 147, em Testemunhos para a Igreja, vol.
5.
"Muitos há que se enganam a
respeito do estado do seu coração. Não entendem que o coração natural é
enganoso mais que todas as coisas, e perverso. Envolvem-se na sua própria
justiça e satisfazem-se com alcançar a sua própria norma humana de carácter;
mas quão fatalmente fracassam quando não alcançam a norma divina, e por si
mesmos não podem satisfazer as reivindicações de Deus." – Ellen G. White, Mensagens
Escolhidas, vol. 1, p. 320.
"Foi apresentado diante de
mim um quadro terrível da condição do mundo. A imoralidade grassa por todo o
lado. A licenciosidade é o pecado especial desta época. Nunca o vício ergueu a
sua cabeça deformada com tanta ousadia como agora. As pessoas parecem estar
entorpecidas, e os amantes da verdade e da verdadeira bondade estão
praticamente desencorajados pelo seu atrevimento, pela sua força e prevalência.
A iniquidade que abunda não se confina meramente ao descrente e ao zombador.
Bom seria que fosse esse o caso, mas não é. Muitos homens e mulheres que
professam a religião de Cristo têm culpas. Até alguns que professam estar à
espera do Seu aparecimento não estão mais preparados para esse acontecimento
do que o próprio Satanás. Não se estão a purificar de toda a poluição. Há tanto
tempo que servem a sua lascívia que é natural aos seus pensamentos serem
impuros e serem corruptas as suas imaginações." – Ellen
G. White, Testemunhos para a Igreja, vol. 2, p. 346.
PERGUNTAS PARA REFLEXÃO:
Revejam na classe as respostas à
pergunta da secção de Terça-feira. De que modo vemos este princípio manifestado
na sociedade dos nossos dias?
Preste atenção à segunda citação
de Ellen G. White, na
secção de Sexta-feira. Se se revê pessoalmente nela,
qual é a resposta? Por que motivo é importante não desistir, por desespero, mas
insistir em reclamar as promessas de Deus, primeiramente de perdão, e a seguir
de purificação? Quem é que deseja ouvi-lo/a dizer, uma vez por todas, "Não
vale a pena. Sou demasiado corrupto/a. Nunca poderei ser salvo/a, por isso
talvez seja melhor desistir"? A quem dá ouvidos, a ele ou a Jesus, que nos
diz: "Nem eu, também, te condeno; vai-te, e não peques mais"? (João
8:11).
Por que razão é tão importante
que nós, cristãos, compreendamos a pecaminosidade e a
depravação básicas humanas? O que é que pode acontecer quando perdemos de
vista essa triste, mas verdadeira, realidade? A que erros nos pode levar um
falso entendimento da nossa verdadeira condição?