LIÇÃO 2 4 a 10 de Julho
de 2010
Judeu e Gentio
[Sábado] [Domingo] [2ª.Feira] [3ª.Feira] [4ª.feira] [5ª.feira] [6ª.feira]
LEITURA PARA O ESTUDO DA SEMANA: Levítico 23; Mateus 19:17; Actos 15:1-29; Gálatas 1:1-12;
Hebreus 8:6; Apocalipse 12:17.
VERSO ÁUREO: "Porque a lei
foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo." João
1:17.
OS PRIMEIROS CONVERSOS AO
CRISTIANISMO eram todos judeus, e o Novo Testamento não dá qualquer indicação
de que lhes tenha sido pedido que abandonassem a prática da circuncisão ou que
passassem a ignorar os festivais judaicos. Mas quando os Gentios começaram a
aceitar o Cristianismo, levantaram-se importantes questões. Deviam os crentes
gentios ser sujeitos à circuncisão? Até que ponto deviam eles observar outras
leis judaicas? Por fim, foi convocado um concílio em Jerusalém, para resolver o
assunto (veja Actos 15).
Apesar da firme decisão desse
concílio de que não se perturbassem os Gentios com uma série de regulamentos e
leis, alguns ensinadores continuaram a importunar as
igrejas com a insistência de que devia ser exigido aos gentios convertidos à fé
o cumprimento dessas regras e leis, incluindo a da circuncisão.
Em certos aspectos, estas
questões persistem ainda hoje, apenas em forma diferente. Quantas vezes nós,
Adventistas, somos acusados de ser judaizantes, ou legalistas,
devido à nossa adesão aos Dez Mandamentos (ou, mais exactamente, devido à
nossa adesão à guarda do mandamento do Sábado)? Quantas vezes já ouvimos dizer que estamos actualmente sob o Novo Concerto e
que, por isso, a lei (o mandamento do Sábado) foi anulada?
Por outro lado, somos, por vezes,
confrontados como Igreja com aqueles que gostariam de nos impor também mais
regras e regulamentos do Velho Testamento.
Portanto, a Epístola aos Romanos
tem uma importante mensagem para nós hoje em dia, tal como teve para a igreja
de Roma naquela altura.
DOMINGO, 4
de Julho MELHORES
PROMESSAS
Leia Hebreus 8:6. Qual é a
mensagem aí encontrada? Como é que entendemos o que são estas "melhores
promessas"?
Talvez a maior diferença entre a
religião do Antigo Testamento e a do Novo seja o facto da era do Novo
Testamento ter sido inaugurada pela vinda do Messias, Jesus de Nazaré. Ele foi
enviado por Deus para ser o Salvador. Os homens não podiam ignorá-l’O
e esperar ser salvos. Só por meio da expiação que Ele providenciou poderiam
eles ter os pecados perdoados. Unicamente pela imputação da Sua vida perfeita
poderiam eles comparecer diante de Deus sem condenação. Noutras palavras, a
salvação era através da justiça de Jesus, e nada mais.
Os santos do Velho Testamento
ansiavam pelas bênçãos da era messiânica e pela promessa da salvação. Nos
tempos do Novo Testamento, era perguntado às pessoas se Aceitavam ou não
Jesus de Nazaré, a quem Deus enviara como o Messias, o seu Salvador. Se
cressem n’Ele, isto é, se O aceitassem como aquele
que Ele era na verdade e se entregassem a Ele, seriam salvos mediante a justiça
que Ele lhes oferecia gratuitamente.
Entretanto, os requisitos morais
permanecem inalterados no Novo Testamento, porque estes estão fundamentados no
carácter de Deus e de Cristo. A obediência à lei moral de Deus faz parte tanto
do Novo Testamento como do Antigo.
Leia Mateus 19:17; Apocalipse 12:17,
14:12; Tiago 2:10 e 11. O que é que estes textos nos dizem acerca da lei moral
no Novo Testamento?
Ao mesmo tempo, todo o conjunto
de leis rituais e cerimoniais que eram distintamente israelitas, que estavam
claramente associadas ao Antigo Concerto, apontando todas elas para Jesus e
para a Sua morte e ministério como Sumo Sacerdote,
foi descontinuado, e uma nova ordem foi introduzida, uma ordem baseada em
"melhores promessas".
Um dos principais objectivos de
Paulo no livro de Romanos foi ajudar tanto Judeus como Gentios a compreenderem
o que estava envolvido nessa transição do Judaísmo para o Cristianismo. Ia ser
preciso algum tempo para se fazer essa transição.
Quais são algumas das suas
promessas bíblicas favoritas? Com que frequência as reclama? Que escolhas está
pessoalmente a fazer que possam intrometer-se no cumprimento dessas promessas
na sua vida?
SEGUNDA, 5 de Julho
LEIS
E REGULAMENTOS JUDAICOS
Na medida em que o tempo o
permita, passe uma vista de olhos pelo livro de Levítico.
(Veja, por exemplo, Levítico 12, 16 e 23.) Que
pensamentos vêm à sua mente ao ler todas essas regras, regulamentos e rituais?
Por que razão seria praticamente impossível seguir muitas delas nos tempos do
Novo Testamento?
É conveniente que classifiquemos
as leis do Antigo Testamento em várias categorias: (1) lei moral, (2) lei
cerimonial, (3) lei civil, (4) estatutos e reprovações e (5) leis da saúde.
Esta classificação é, em parte,
artificial. Na realidade, algumas dessas categorias estão relacionadas e há
entre elas uma boa dose de sobreposição. Os antigos não as consideravam como
distintas e separadas.
A lei moral está sintetizada nos
Dez Mandamentos (Êx. 20:1-17). Esta lei resume os
requisitos morais da humanidade. Esses dez preceitos são alargados e aplicados
em variados estatutos e proposições, os quais se encontram dispersos pelos
primeiros cinco livros da Bíblia. Estas amplificações mostram o que significava
guardar a lei de Deus em diversas situações. As leis civis estão relacionadas
com elas. Estas também se fundamentam na lei moral, e serviam para definir a
relação do cidadão com as autoridades civis e com os demais cidadãos. É nestas leis que são indicadas as penas a aplicar por
diversas infracções.
A lei cerimonial regulamentava o
ritual do santuário, descrevendo as várias ofertas e responsabilidades do
cidadão individualmente. Os dias de festa são especificados e definidos os
modos da sua observância.
As leis de saúde sobrepõem-se às
outras leis. As diversas leis referentes a impureza definem a impureza
cerimonial, e, contudo, vão além disso de modo a incluir princípios higiénicos
e de saúde. As leis relativas às carnes limpas e imundas baseiam-se em considerações
físicas.
Embora um judeu pudesse, em
grande medida, encarar estas leis como um todo, tendo todas vindo de Deus,
certamente fazia mentalmente certas distinções. Os Dez Mandamentos tinham sido
directamente declarados por Deus ao povo. Este facto distinguia-os como algo
particularmente importante. As outras leis tinham sido transmitidas por
intermédio de Moisés. O ritual do santuário só podia ser seguido enquanto
houvesse um santuário em operação.
As leis civis, pelo menos em
grande parte, já não podiam ser impostas após os Judeus terem perdido a sua
independência e terem ficado sob o controlo civil de outra nação. Muitos dos
preceitos cerimoniais deixaram de poder ser observados depois de o templo ter
sido destruído. Além disso, após a vinda do Messias, muitos dos tipos tinham
encontrado os respectivos antítipos e deixaram de ter
qualquer validade.
TERÇA, 6
de Julho "QUE
É NECESSÁRIO QUE EU FAÇA PARA ME SALVAR?"
Leia Actos 15:1. Qual era a
questão que estava a provocar dissensão? Por que razão alguns indivíduos
achavam que isto não se aplicava apenas à nação judaica? Veja Gén. 17:10
Ao mesmo tempo que os apóstolos
se uniam com os pastores e membros leigos em Antioquia, num esforço dedicado
para conquistar muitas almas para Cristo, certos crentes judeus, vindos da
Judeia e "da seita dos Fariseus", conseguiram introduzir uma questão
que rapidamente levou a uma controvérsia generalizada na igreja e que provocou
consternação aos crentes gentios. Com grande convicção, tais ensinadores afirmavam que, a fim de se ser salvo, o
indivíduo tinha de ser circuncidado e era obrigado a guardar toda a lei
cerimonial. Os Judeus, afinal, sempre se orgulharam das suas cerimónias divinamente
indicadas, e muitos dos que se converteram à fé de Cristo continuavam a achar
que, uma vez que Deus em tempos delineara claramente a forma hebraica de
adoração, era improvável que Ele alguma vez autorizasse uma alteração em
qualquer das suas especificações. Insistiam eles que as leis e cerimónias
judaicas deviam ser incorporadas nos ritos da religião cristã. Foram lentos em
discernir que todas as ofertas sacrificiais tinham unicamente prefigurado a
morte do Filho de Deus, momento este em que o tipo encontrou o antítipo, e após a qual os ritos e cerimónias do regime
mosaico deixaram de ser vinculativos.
Leia Actos 15:2-12. Como foi
resolvida esta disputa?
"Embora procurando a
orientação directa de Deus, [Paulo] estava sempre pronto a reconhecer a autoridade
contida no corpo de crentes unidos na comunhão da Igreja. Sentia necessidade de
se aconselhar, e, quando surgiam assuntos de importância, alegrava-se por poder
apresentá-los perante a Igreja e por se unir com os irmãos para procurar
sabedoria vinda de Deus a fim de tomar decisões correctas." – Ellen G. White, Actos dos
Apóstolos, pp. 144, 145 (Ed. P. SerVir).
É interessante que Paulo, que
tantas vezes falava do seu chamado profético e da forma como Jesus o chamara e
lhe confiara a sua missão, estivesse tão disposto a trabalhar juntamente com o
corpo mais alargado da Igreja. Isto é, fosse qual fosse o seu chamado, ele
compreendia que era pessoalmente parte da Igreja no seu todo e que precisava de
trabalhar com ela tanto quanto possível.
Qual é a sua atitude pessoal
perante a liderança da Igreja? Até que ponto se mostra cooperante? Por que
razão a cooperação é importante? Como seria o nosso trabalho se toda a gente
fizesse o que quisesse, independentemente do corpo mais alargado?
QUARTA, 7 de Julho "MAIS
NENHUMA OBRIGAÇÃO"
Leia Actos 15:5-29. A que decisão
chegou a assembleia, e qual foi o seu raciocínio?
A decisão tomada foi contrária às
pretensões dos judaizantes. Estes insistiam em que os conversos gentios fossem
circuncidados e que observassem toda a lei cerimonial, e que "as leis e
cerimónias judaicas deviam ser incorporadas nos ritos da religião cristã."
– Ellen G. White, Actos
dos Apóstolos, p. 138 (Ed. P. SerVir).
É interessante notar que, no
versículo 10, Pedro se refere a essas velhas leis como a um "jugo"
que eles eram incapazes de suportar. Faria o Senhor dessas leis, instituídas
por Ele, um jugo ou um fardo para o Seu povo? Isso parece pouco provável. O que
aconteceu foi que, ao longo dos anos, alguns dirigentes tinham, por meio das
suas tradições orais, transformado essas leis, que tinham sido dadas para serem
bênçãos, em verdadeiros fardos. A assembleia procurou poupar esses jugos aos
Gentios.
Note-se, também, que não houve
qualquer menção de os Gentios não terem de obedecer aos Dez Mandamentos nem
qualquer dúvida sobre isso. Afinal de contas, será possível
alguém imaginar que a assembleia lhes diria para não
comerem sangue, mas que era aceitável que ignorassem os mandamentos contra o
adultério, o assassínio e coisas do género?
Que regras foram impostas aos
crentes gentios (Actos 15:20 e 29), e porquê estas regras específicas?
Embora os crentes judeus não
devessem impor as suas regras e tradições aos Gentios, a assembleia quis tornar
claro que os Gentios não deviam fazer coisas que fossem consideradas ofensivas
para os Judeus que estavam unidos a eles em Jesus. Daí que os apóstolos e os
anciãos tenham concordado em dar instruções aos Gentios, por carta, para que se
abstivessem de carnes oferecidas aos ídolos, da prostituição, de coisas
sufocadas e do sangue. Há quem diga que, uma vez que o Sábado não foi
especificamente mencionado, este não se aplicava aos Gentios. Claro que também
não foram especificamente mencionados mandamentos contra o assassínio, o falso
testemunho e outros, pelo que aquele argumento não tem qualquer valor.
Poderemos nós, de alguma maneira,
estar a impor jugos e fardos às pessoas, os quais não são necessários, mas que
são mais o resultado de tradições do que de indicação divina? Se sim, em que
aspectos? Leve as suas ideias para a classe no Sábado.
QUINTA, 8
de Julho A
HERESIA DOS GÁLATAS
Por muito clara que fosse a
resolução da assembleia, houve aqueles que procuraram fazer as coisas à sua
maneira e que continuaram a advogar que os Gentios deviam observar as tradições
e as leis judaicas. Para Paulo, isto tornou-se um assunto muito sério; quer
dizer, não era brincar com pequenos pontos da fé. Tinha-se tornado uma negação
do próprio evangelho de Cristo.
Leia Gálatas 1:1-12. Que
gravidade atribui Paulo à questão com que se via confrontado na Galácia? O que nos deve isso dizer quanto à importância que
tem este assunto?
Tal como já se disse
anteriormente, foi a situação na Galácia que, em
grande medida, motivou o conteúdo da carta dirigida aos crentes em Roma. Na
Epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo desenvolve mais o tema da epístola aos
Gálatas. Os judaizantes entendiam que a lei de Deus que lhes fora dada por
intermédio de Moisés era importante e devia ser observada pelos conversos
gentílicos. O apóstolo tentava mostrar qual era o verdadeiro lugar e função
dessa lei. Ele não queria que essas pessoas conseguissem em Roma o mesmo êxito
que tinham tido na Galácia.
É simplificar demasiado as coisas
perguntar se em Gálatas e em Romanos Paulo está a falar de leis cerimoniais ou
morais. Historicamente, o argumento era se aos conversos gentílicos devia ou
não ser requerido serem circuncidados e que guardassem a lei de Moisés. O
concílio de Jerusalém já tinha decidido esta questão, mas havia alguns que se
recusavam a seguir essa decisão.
Há quem veja hoje, nas cartas de
Paulo aos Gálatas e aos Romanos, evidência de que a lei moral, os Dez
Mandamentos (ou, em boa verdade, unicamente o quarto mandamento), já não está
em vigor para os cristãos. Contudo, essas pessoas não entendem o ponto central
dessas cartas, não percebem o contexto histórico e as questões que o apóstolo
estava a confrontar. Paulo, como veremos, sublinhava que a salvação era
unicamente pela fé e não pela observância da lei, mesmo da lei moral. No
entanto, isso não é a mesma coisa que dizer que a lei moral não deve ser
guardada. A obediência aos Dez Mandamentos nunca foi motivo de controvérsia;
aqueles que o fazem hoje estão a pretender ler retrospectivamente nos textos
uma questão actual, uma questão que não se punha ao apóstolo Paulo.
Como é que se responde àqueles
que declaram que a guarda do Sábado já não é vinculativa para os cristãos? Como
é que se pode demonstrar a verdade do Sábado sem comprometer a integridade do
evangelho?
ESTUDO ADICIONAL: Leia de Ellen G. White, "Judeus e
Gentios", pp. 137-145; "Apostasia na Galácia", pp. 273-276, em Actos dos Apóstolos (Ed. P. SerVir); "Israel
Recebe a Lei", pp. 263-273; "A Lei e os Concertos", pp. 321-330,
em Patriarcas e Profetas (1ª ed. P. SerVir);
"O Povo Escolhido", pp. 19-22, em O Desejado de Todas as Nações (Ed. P. SerVir).
"Mas, se o concerto abraâmico continha a promessa da redenção, porque se
estabeleceu outro concerto no Sinai? Durante o cativeiro, o povo tinha perdido,
em grande parte, o conhecimento de Deus e os princípios do concerto feito com
Abraão….
"O povo não compreendia a
condição pecaminosa dos seus corações, e que sem Cristo lhes era impossível
guardar a lei de Deus; e prontamente entraram em concerto com Deus." – Ellen G. White, Patriarcas e
Profetas, pp. 328, 329 (1ª ed. P. SerVir).
"Através da influência de
falsos mestres que se tinham levantado entre os crentes em Jerusalém, a
divisão, a heresia e o sensualismo ganhavam terreno rapidamente entre os
crentes da Galácia. Esses falsos mestres misturavam
tradições judaicas com as verdades do evangelho. Desrespeitando a decisão do
concílio geral de Jerusalém, impuseram aos crentes gentios a observância da lei
cerimonial." – Ellen G. White,
Actos dos Apóstolos, p. 273 (Ed. P. SerVir).
PERGUNTAS PARA REFLEXÃO:
Revejam na classe as respostas à
última pergunta da secção de Quarta-feira. Até que ponto poderá a vossa igreja
local, ou você mesmo/a no seu lar, estar a impor fardos a outros (ou a si
directamente), que não são necessários? Como é que podemos reconhecer se
estamos realmente a fazer essas coisas? Ou poderemos estar em risco de ir longe
de mais no outro sentido? Isto é, como é que se pode reconhecer se nos tornámos
demasiado frouxos nos nossos padrões e estilo de vida, a ponto de a nossa vida
deixar de reflectir o grandioso chamado que recebemos em Cristo?
Quais são alguns dos argumentos
que as pessoas utilizam para afirmar que os Dez Mandamentos já não são
obrigatórios para os cristãos hoje? Que resposta temos para essas afirmações?
Por que razão, diante dos factos, são essas afirmações tão erradas? E por que
motivo, em muitos casos, quem faz essas afirmações não vive como se de facto
acreditasse que os Dez Mandamentos já não são obrigatórios?
Leia de novo os primeiros 12 versículos
em Gálatas 1. Repare até que ponto Paulo se mostra inflexível, dogmático e
fervoroso a respeito da sua compreensão do evangelho. O que é que isso nos deve
dizer quanto a devermos, por vezes, ficar absolutamente inabaláveis em certas
crenças, sobretudo nestes tempos de pluralismo e relativismo? De que modo isso mostra que certos
ensinamentos não podem ser postos em causa seja de que maneira for?