LIÇÃO 11                           5 a 11 de Setembro de 2010

 

 

 

 

 

A Eleição da Graça

 

 

 

[Sábado]   [Domingo]   [2ª.Feira]   [3ª.Feira]   [4ª.feira]   [5ª.feira]   [6ª.feira]

 

 

 

 

 

SÁBADO À TARDE

 

LEITURA PARA O ESTUDO DA SEMANA: Romanos 10 e 11.

 

VERSO ÁUREO: "Digo, pois: Porventura rejeitou Deus o Seu povo? De modo nenhum; porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim." Romanos 11:1.

 

A LIÇÃO DESTA SEMANA COBRE ROMANOS 10 E 11, com particular aten­ção no capítulo 11. É importante ler integralmente ambos os capítulos a fim de continuarmos a seguir a linha de pensamento de Paulo.

Estes dois capítulos foram, e continuam a ser, o ponto central de muita discus­são. Há um ponto, porém, que surge perfeitamente claro ao longo deles, e esse ponto é o amor de Deus pela humanidade e o Seu grande desejo de ver toda a humanidade salva. Não há nenhuma rejeição colectiva seja de quem for em termos de salvação. Romanos 10 torna bem claro que "não há diferença entre judeu e grego" (Rom. 10:12) – todos são pecadores e todos necessitam da graça de Deus que foi dada ao mundo por meio de Jesus Cristo. Esta graça chega a todos, não por nacionalidade, nem por nascimento, nem pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus, que morreu como Substituto dos pecadores em todos os luga­res. As funções podem alterar-se, mas o plano básico da salvação nunca muda.

O apóstolo continua com este tema no capítulo 11. Também aqui, como afir­mado anteriormente, é importante compreender que, quando ele fala de eleição e de chamado, a questão não tem a ver com salvação, mas tem a ver com a fun­ção no plano de Deus para alcançar todo o mundo. Nenhum grupo foi rejeitado para a salvação; nunca foi esse o ponto em questão. Pelo contrário, depois da Cruz, e depois da introdução do evangelho junto dos Gentios, particularmente por intermédio de Paulo, o movimento inicial de crentes – tanto judeus como gentios – tomou sobre si o manto da evangelização do mundo.

 

 

DOMINGO, 5 de Setembro                        O FIM DA LEI

 

 

Leia Romanos 10:1-4. Tendo em mente tudo o que veio antes, que men­sagem encontramos aqui? Como podemos nós hoje estar em risco de pro­curar criar a nossa "própria justiça"?

 

O legalismo pode surgir de muitas formas, umas mais subtis do que outras. Aqueles que olham para si mesmos, para as suas boas obras, para o seu regime alimentar, para a forma rigorosa como guardam o Sábado, para todas as coisas más que não fazem, ou para as boas coisas que já fizeram – mesmo com as melhores das intenções – estão a cair na armadilha do legalismo. Devemos, em cada momento da nossa vida, manter diante de nós a santidade de Deus em contraste com a nossa pecaminosidade; esta é a maneira mais segura de nos protegermos do modo de pensar que leva indivíduos a procurarem a sua "própria justiça", que é contrária à justiça de Cristo.

Romanos 10:4 é um texto importante que capta a essência de toda a mensa­gem do apóstolo Paulo dirigida aos Romanos. Primeiro, precisamos de conhecer o contexto. Havia muitos judeus que procuravam "estabelecer a sua própria jus­tiça" (Rom. 10:3) e buscavam "a justiça que é pela lei" (Rom. 10:5). Com a vinda do Messias, porém, foi apresentado o verdadeiro caminho da justiça. A justiça foi oferecida a todos os que firmassem a sua fé em Cristo. Ele era Aquele para quem o antigo sistema cerimonial apontara.

Mesmo que se inclua aqui, na definição de lei, os Dez Mandamentos, isso não quer dizer que os Dez Mandamentos foram abolidos. A lei moral aponta os nossos pecados, as nossas faltas, os nossos fracassos e, dessa forma, leva-nos à necessidade que temos de um Salvador, à necessidade de perdão, à necessi­dade de justiça, necessidades estas que se preenchem unicamente em Jesus. Nesse sentido, Cristo é o "fim" da lei, na medida em que a lei nos conduz a Ele e à Sua justiça. A palavra grega traduzida por "fim" neste versículo é telos, que também pode ser traduzida por "objectivo" ou "propósito". Cristo é o propósito final da lei, na medida em que a lei se destina a conduzir-nos a Jesus.

Dizer que este texto ensina que os Dez Mandamentos – ou, especificamente, o quarto (que é onde as pessoas geralmente querem chegar) – estão anulados é chegar a uma conclusão que vai contra todo o resto (e é muito) que Paulo e o Novo Testamento ensinam.

 

Já alguma vez se sentiu orgulhoso/a por ser bastante bom/boa, sobre­tudo em comparação com outras pessoas? Talvez, como pessoa, até seja "melhor", mas que interessa isso? Compare-se com Cristo, e depois pense na "bondade" que realmente tem.

 

 

SEGUNDA, 6 de Setembro                       A ELEIÇÃO DA GRAÇA

 

 

Leia Romanos 11:1-7. Qual é o ensino popular que esta passagem des­mente clara e irrevogavelmente?

 

Na primeira parte da resposta à pergunta, "Porventura rejeitou Deus o Seu povo?", Paulo aponta para um remanescente, uma eleição da graça, como pro­va de que Deus não rejeitou o Seu povo. A salvação está aberta a todos os que a aceitam, sejam Judeus ou Gentios.

Deve ser lembrado que os primeiros conversos ao Cristianismo eram todos judeus – por exemplo, o grupo que se converteu no Dia de Pentecostes. Foram necessários uma visão e um milagre especiais para convencer o apóstolo Pedro de que os Gentios tinham igual acesso à graça de Cristo (Actos 10; compare com Actos 15:7-9) e de que o evangelho lhes devia ser transmitido também.

 

Leia Romanos 11:7-10. Está Paulo a dizer que Deus propositadamente cegou para a salvação a parte de Israel que rejeitou Jesus? O que é que há de errado nessa ideia?

 

Nestes versículos, Paulo cita o Antigo Testamento, que era aceite pelos Ju­deus como tendo autoridade. As passagens que o apóstolo cita apresentam Deus como estando a dar a Israel um espírito de sonolência, impedindo que eles vissem e ouvissem. Será que Deus cega os olhos das pessoas para as impedir de ver a luz que as levaria à salvação? Nunca! Estas passagens devem ser en­tendidas à luz da explicação que demos de Romanos 9. Paulo não está a falar de salvação individual, pois Deus não rejeita para a salvação nenhum grupo em massa. A questão aqui, na verdade, tem a ver com a função que esses indivíduos desempenham na Sua obra.

 

O que há de muito errado com a ideia de que Deus rejeitou em massa qualquer grupo de pessoas em termos de salvação? Porque é que isso é contrário a todo o ensino do evangelho, o qual, no seu cerne, mostra que Cristo morreu para salvar todos os seres humanos? De que modo, por exemplo, no caso dos Judeus, essa ideia levou a resultados trágicos?

 

 

TERÇA, 7 de Setembro                 O RAMO ENXERTADO

 

 

Leia Romanos 11:11-15. Que grandiosa esperança apresenta Paulo nes­tes versículos?

 

Encontramos, nestes versículos, duas expressões paralelas: (1) "a sua [dos Is­raelitas] plenitude" (v. 12) e (2) "a sua [dos Israelitas] admissão" (v. 15). O apóstolo encarava a diminuição e a rejeição como sendo apenas temporárias, para serem seguidas pela plenitude e admissão. Esta é a segunda resposta do apóstolo à questão levantada no começo do capítulo, "Porventura rejeitou Deus o Seu povo?" O que parecia ser uma rejeição, diz ele, era apenas uma situação temporária.

 

Leia Romanos 11:16-24. Qual é a mensagem que o apóstolo nos dirige neste texto?

 

Paulo compara o fiel remanescente em Israel com uma boa oliveira, cujos ramos em parte foram quebrados (os que não creram) – uma ilustração que ele utilizou para provar que "Deus não rejeitou o Seu povo" (v. 2). A raiz e o tronco continuam lá.

Foi nessa árvore que os Gentios crentes foram enxertados. No entanto, rece­bem a sua seiva e vitalidade da raiz e do tronco, que representam o Israel crente.

O que aconteceu aos que rejeitaram Jesus poderia acontecer também aos gentios crentes. A Bíblia não ensina nenhuma doutrina de "uma vez salvo, salvo para sempre". Assim como a salvação é livremente oferecida, também pode ser livremente rejeitada. Embora tenhamos de ser cuidadosos para não pensarmos que todas as vezes que caímos ficamos fora da salvação, ou que a menos que sejamos perfeitos não estamos salvos, também precisamos de evitar o fosso oposto – a ideia de que logo que a graça de Deus nos cobre, já não há nada que possamos praticar, nenhuma escolha que possamos fazer, que remova de nós a provisão da salvação. No fim, só aqueles que "[permanecerem] na Sua bondade" (v. 22) é que serão salvos.

Nenhum crente se deve vangloriar da sua bondade ou sentir qualquer superio­ridade acima dos seus semelhantes. A nossa salvação não foi adquirida; foi uma dádiva. Em face da Cruz, em face do padrão de santidade de Deus, somos todos iguais: pecadores necessitados da graça divina, pecadores necessitados de uma santidade que só pode ser nossa através da graça. Nada temos em nós de que nos vangloriarmos; a nossa glória deve ser apenas em Jesus e naquilo que Ele fez por nós, vindo a este mundo em carne humana, sofrendo as nossas penas, morrendo pelos nossos pecados, apresentando-nos o modelo de como devemos viver e prometendo-nos o poder de viver essa vida. Em tudo isto, somos com­pletamente dependentes d’Ele, pois sem Ele não teríamos nenhuma esperança para lá do que este mundo em si oferece.

 

 

QUARTA, 8 de Setembro              UM MISTÉRIO REVELADO

 

 

Leia Romanos 11:25-27. Que grandiosos acontecimentos está Paulo a anunciar nestes textos?

 

Há séculos que os cristãos discutem e debatem estes breves versículos. Há, porém, alguns pontos que são muito claros. Para começar, toda a questão aqui tem a ver com Deus a pretender alcançar os Judeus. O que Paulo está a dizer surge em resposta à pergunta feita no início do capítulo, "Porventura rejeitou Deus o Seu povo?". A resposta que ele tem é, obviamente, não, e a explicação que dá é: (1) que a cegueira (do grego porosis, que significa "dureza") é só "em parte", e (2) que é apenas temporária, "até que a plenitude dos gentios haja entrado".

O que é que significa a "plenitude dos gentios"? Muitos vêem esta frase como uma forma de expressar o cumprimento da missão evangélica, em que todo o mundo vai ouvir o evangelho. "A plenitude dos gentios" terá entrado quando o evangelho tiver sido pregado em todo o mundo. A fé de Israel, manifestada em Cristo, é universalizada. O evangelho foi pregado a todo o mundo. A vinda de Je­sus está próxima. Nesse momento, então, muitos judeus começam a vir a Jesus.

Um outro ponto difícil é o significado de "todo o Israel será salvo" (v. 26). Isto não deve ser entendido de modo a querer dizer que todo o judeu terá, por algum decreto divino, a salvação no fim dos tempos. Em parte nenhuma das Escrituras é pregado o universalismo, seja de toda a raça humana seja de um segmento desta em particular. Paulo tinha a esperança de "salvar alguns deles" (v. 14). Alguns aceitaram o Messias, alguns rejeitaram-n’O, como acontece com todos os grupos de pessoas.

Num comentário sobre Romanos 11, Ellen White fala de um tempo, "na procla­mação final do evangelho", quando "muitos dos Judeus … receberão Cristo pela fé como seu Redentor". – Ellen G. White, Actos dos Apóstolos, p. 271 (ed. P. SerVir).

"Há uma poderosa obra a ser feita no mundo. O Senhor declarou que os gentios serão recolhidos, e não somente os gentios, mas os judeus. Há entre os judeus muitos que serão convertidos e por meio de quem veremos a salvação de Deus sair como lâmpada ardente. Há judeus por toda a parte, e a eles deve ser levada a luz da verdade presente. Há entre eles muitos que virão para a luz e que proclamarão a imutabilidade da lei de Deus com admirável poder." – Ellen G. White, Evangelismo, p. 578.

 

Dedique algum tempo a pensar nas raízes judaicas da fé cristã. Até que ponto um estudo selectivo da religião judaica poderia ajudar-nos a compre­ender melhor a fé cristã?

 

 

QUINTA, 9 de Setembro                A SALVAÇÃO DE PECADORES

 

 

O amor de Paulo pelo seu próprio povo é claramente notório nestes versícu­los. Como deve ter-lhe sido difícil ver alguns dos seus concidadãos lutarem con­tra ele e contra a verdade do evangelho. No entanto, no meio de tudo, ele ainda acreditava que muitos iriam ver Jesus como o Messias.

 

Leia Romanos 11:28-36. De que modo revela o apóstolo Paulo o amor de Deus, não apenas pelos Judeus, mas por toda a humanidade? Até que ponto exprime ele nesta passagem o admirável e misterioso poder da graça de Deus?

 

Ao longo de todos estes versículos, embora sendo apresentado um contraste entre Judeus e Gentios, há um ponto que fica muito claro: a misericórdia, o amor e a graça de Deus são derramados sobre todos os pecadores. O plano de Deus, ainda antes da fundação do mundo, era salvar a humanidade e utilizar outros seres humanos, nações até, como instrumentos nas Suas mãos para dar cum­primento à Sua vontade divina.

 

Leia cuidadosamente e em espírito de oração o versículo 31. Que conclu­são importante devemos tirar deste texto sobre o nosso testemunho, não só diante dos Judeus, mas diante de todas as pessoas com quem entramos em contacto?

 

Não há dúvidas de que, se a Igreja Cristã tivesse, ao longo dos séculos, tra­tado os Judeus duma maneira melhor, muitos mais poderiam ter vindo ao seu Messias. A grande apostasia nos primeiros séculos depois de Cristo, e a extrema paganização do Cristianismo – incluindo a rejeição do Sábado, o sétimo dia, a favor do Domingo – por certo que em nada tornaram mais fácil para um judeu poder ser atraído para Jesus.

É fundamental então que todos os cristãos, compreendendo a misericórdia que lhes foi concedida em Jesus, manifestem essa mesma misericórdia a outros. Não podemos ser cristãos se o não quisermos ser (veja Mat. 18:23-36).

Haverá alguém a quem deve pessoalmente manifestar misericórdia, al­guém que talvez a não mereça? Por que razão não mostrar a essa pessoa essa misericórdia, por difícil que isso possa ser? Não foi isso o que Jesus fez por nós?

 

 

SEXTA, 10 de Setembro

 

 

ESTUDO ADICIONAL: Leia de Ellen G. White, "Perante o Sinédrio", pp. 55-60; "De Perseguidor a Discípulo", pp. 81-87; "Carta de Roma", pp. 333-342, em Actos dos Apóstolos (ed. P. SerVir); "Aproximar-se dos Católicos", pp. 573-577, em Evangelis­mo; "Que pregar e que não pregar", pp. 155, 156, em Mensagens Escolhidas, vol. 1.

"Apesar de Israel ter falhado como nação, havia entre eles um considerável re­manescente em condições de ser salvo. Por ocasião do advento do Salvador, houve homens e mulheres fiéis que receberam com alegria a mensagem de João Baptista, e foram, dessa forma, levados a estudar, mais uma vez, as profecias referentes ao Messias. Quando a igreja cristã primitiva foi fundada, foi composta por esses fiéis judeus que reconheceram Jesus de Nazaré como Aquele cujo advento tanto tinham desejado." – Ellen G. White, Actos dos Apóstolos, pp. 268 (ed. P. SerVir).

"Há entre os judeus alguns que, como Saulo de Tarso, são poderosos nas Escri­turas, e esses proclamarão com maravilhoso poder a imutabilidade da lei de Deus. … Quando os Seus servos trabalharem, com fé, pelos que há muito têm sido negli­genciados e desprezados, a Sua salvação será revelada." – Ellen G. White, Actos dos Apóstolos, p. 271 (ed. P. SerVir).

"Na proclamação final do evangelho, quando deve ser feito um trabalho especial pelas classes de pessoas até aqui negligenciadas, Deus espera que os Seus men­sageiros se interessem especialmente pelo povo judeu, que pode ser encontrado em todas as partes da Terra. Ao unirem as Escrituras do Antigo Testamento com o Novo, numa explanação do eterno propósito de Jeová, isto será para muitos judeus como o raiar de uma nova criação, a ressurreição da alma. Ao verem o Cristo da dis­pensação evangélica retratado nas páginas das Escrituras do Antigo Testamento, e ao verem claramente como o Novo Testamento explica o Antigo, as suas faculdades adormecidas despertarão e reconhecerão Cristo como o Salvador do mundo. Muitos receberão Cristo pela fé como seu Redentor." – Ellen G. White, Actos dos Apóstolos, pp. 270, 271 (ed. P. SerVir).

 

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO:

 

Nos últimos dias, quando a lei de Deus, e sobretudo o Sábado, for alvo de atenção, não será razoável pensar que os Judeus – muitos deles tão preo­cupados com os Dez Mandamentos como os Adventistas – venham a ter um papel que ajudará a clarificar certas questões diante do mundo? Afinal, no que se refere à guarda do Sábado, os Adventistas, quando comparados com os Ju­deus, são "os miúdos acabados de chegar ao bairro". Analisem este assunto.

Por que razão deve a Igreja Adventista ser, entre todas as igrejas, a que pode ter mais êxito na evangelização dos Judeus? O que é que pode pes­soalmente, ou a sua igreja local, fazer ao procurar alcançar os judeus da sua comunidade, se os houver?

Que lições podemos aprender com os erros de muitos no antigo Israel? Como é que se podem evitar essas mesmas coisas nos dias de hoje?