LIÇÃO
10 28 de Agosto a 4 de Setembro de 2010
Redenção
para Judeus
e Gentios
[Sábado] [Domingo] [2ª.Feira] [3ª.Feira] [4ª.feira] [5ª.feira] [6ª.feira]
LEITURA
PARA O ESTUDO DA SEMANA: Romanos 9.
VERSO
ÁUREO: "Logo, pois, compadece-Se de quem quer, e
endurece a quem quer." Romanos 9:18.
"COMO
ESTÁ ESCRITO: AMEI JACOB, e
aborreci Esaú. … Pois dizia a Moisés:
Compadecer-Me-ei de quem Me compadecer, e terei misericórdia de quem Eu tiver
misericórdia." Romanos 9:13 e 15.
De que é
que Paulo está aqui a falar? Então e o livre arbítrio humano, a liberdade de
decisão, sem a qual muito pouco daquilo em que acreditamos faz sentido? Não
somos nós livres de escolher ou de rejeitar Deus? Estarão estes versículos a
ensinar que certas pessoas são eleitas para serem salvas e outras para se
perderem, independentemente das suas próprias escolhas pessoais?
A
resposta encontra-se, como habitualmente, vendo o quadro mais amplo daquilo que
o apóstolo está a dizer. Ele está a seguir uma linha de argumentação na qual
procura mostrar o direito de Deus escolher aqueles que usará como Seus
"eleitos". Ao fim e ao cabo, é Deus quem tem a responsabilidade maior
da evangelização do mundo. Por conseguinte, por que razão não há-de Ele
escolher como Seus agentes quem Ele quiser? Desde que Deus não impeça ninguém
de ter a oportunidade de salvação, essa acção de Deus não é contrária aos princípios
da liberdade de escolha. Mais importante ainda, não é contrária à grande
verdade de que Cristo morreu por todos os seres humanos e de que é Seu desejo
que todos alcancem a salvação.
Desde que
nos lembremos de que Romanos 9 não está a tratar da salvação pessoal dos nele
mencionados, mas do chamado que lhes é feito para o desempenho de um certo
trabalho, o capítulo não apresenta qualquer tipo de dificuldade.
DOMINGO,
29 de Agosto A
PREOCUPAÇÃO DE PAULO
"E vós Me sereis um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel." Êxodo
19:6.
Deus teve
necessidade de um povo missionário para evangelizar o mundo atolado em
paganismo, trevas e idolatria. Escolheu os Israelitas e revelou-Se--lhes.
Era Seu plano que esta viesse a ser uma nação modelo,
que atrairia outras para o verdadeiro Deus. Era propósito de Deus que, pela
revelação do Seu carácter por intermédio de Israel, o mundo fosse atraído para
Ele. Mediante o ensino do cerimonial sacrificial, Cristo seria exaltado diante
das nações e toda a gente que para Ele olhasse viveria. À medida que Israel
crescesse e as suas bênçãos aumentassem, deveriam ser alargadas as suas
fronteiras até que o reino envolvesse o mundo inteiro.
Leia
Romanos 9:1-12. Que ideia defende aqui Paulo sobre a fidelidade de Deus no meio
dos fracassos humanos?
O
apóstolo está a construir uma linha de argumentação na qual vai mostrar que a
promessa feita a Israel não tinha falhado totalmente. Havia um remanescente
através de quem Deus ainda esperava actuar. A fim de estabelecer a validade da
ideia do remanescente, Paulo mergulha de novo na história israelita, mostrando
que Deus sempre foi selectivo: (1) Deus não escolheu toda a descendência de
Abraão para fazer parte do Seu concerto, escolheu unicamente a linhagem de
Isaac. (2) Ele não escolheu todos os descendentes de Isaac, apenas os de Jacob.
É
importante também perceber que a linhagem, ou a ancestralidade, não são
garantia da salvação. Pode-se ser da melhor genealogia, pertencer à família
escolhida, ser membro até da Igreja mais verdadeira e, no entanto, estar perdido
e ficar fora da promessa. É a fé, uma fé que opera por amor, que vai revelar
aqueles que são "os filhos da promessa" (Rom.
9:8).
Repare na
expressão encontrada em Romanos 9:6: "Porque nem todos os que são de
Israel são israelitas." Qual é a importante mensagem que encontramos aqui
para nós próprios, como Adventistas, que, em muitos aspectos, desempenhamos nos
nossos dias a mesma função que os antigos Israelitas desempenharam no seu
tempo?
"Foi-lhe
dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei Jacob, e aborreci Esaú." Romanos 9:12 e 13.
Como foi
afirmado na introdução desta semana, é impossível compreender Romanos 9
correctamente enquanto não se reconhecer que Paulo não está a falar de salvação
individual. Ele está a falar de funções particulares que Deus chamava certos
indivíduos a desempenhar. Deus quis que Jacob fosse o progenitor do povo que
seria no mundo a Sua agência especial de evangelização. Não está de modo nenhum
implícito nesta passagem que Esaú não se poderia
salvar. Deus desejava que ele se salvasse tanto quanto deseja que todos os
seres humanos se salvem.
Leia
Romanos 9:14 e 15. Como é que se entendem estas palavras no contexto daquilo
que temos estado a ler?
Mais uma
vez, o apóstolo não está a falar de salvação individual, porque nesta área Deus
estende a Sua misericórdia a todos, pois "quer que todos os homens se
salvem" (I Tim. 2:4). "Porque a graça de
Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens" (Tito 2:11).
Mas Deus pode escolher nações para desempenharem uma certa função e, embora
estas possam recusar o desempenho dessa função, não podem impedir Deus de
escolher. Por muito que Esaú se pudesse ter empenhado
e querido, não se podia ter tornado o progenitor do Messias nem do povo
escolhido.
No fim,
não foi por nenhuma escolha arbitrária da parte de Deus, nem por nenhum
decreto divino, que Esaú foi excluído da salvação. As
dádivas da Sua graça por meio de Cristo são gratuitas para toda a gente. Todos
fomos eleitos para ser salvos, não para nos perdermos (Efé.
1:4 e 5; II Pedro 1:10). São as nossas próprias escolhas, não as de Deus, que
nos afastam da promessa de vida eterna em Cristo. Jesus morreu por todos os
seres humanos. Contudo, Deus determinou na Sua Palavra as condições segundo as
quais cada alma será eleita para a vida eterna: fé em Cristo, a qual conduz o
pecador justificado à obediência.
Nós, nós
mesmos, como se mais ninguém existisse, fomos escolhidos em Cristo, antes mesmo
da fundação do mundo, para obtermos a salvação. Este é o nosso chamado, a nossa
eleição, tudo dado por Deus a cada um de nós, por intermédio de Jesus. Que
privilégio e que esperança! Por que razão, tendo em conta todas as coisas, tudo
o mais perde valor em comparação com esta grande promessa? Por que razão seria
a maior de todas as tragédias consentir que o pecado, o
eu e a carne nos arrancassem tudo o que nos foi
prometido em Jesus?
"Porque
os Meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os
Meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como os
céus são mais altos do que a terra, assim são os Meus caminhos mais altos do
que os vossos caminhos, e os Meus pensamentos mais altos do que os vossos
pensamentos." Isaías 55:8 e 9.
Leia
Romanos 9:17-24. Atendendo ao que lemos até agora, como é que se entende a a conclusão a que Paulo chega nesta passagem?
Ao lidar
com o Egipto, na altura do Êxodo, da maneira como o fez, Deus estava a operar
para a salvação da raça humana. A revelação que Deus fez de Si mesmo nas pragas
do Egipto e no livramento do Seu povo destinava-se a
revelar aos Egípcios, bem como a outras nações, que o Deus de Israel era de
facto o Deus verdadeiro. Destinava-se a ser um convite a todos os povos das
diversas nações para que abandonassem os seus deuses e viessem adorar este
Deus.
É óbvio
que o Faraó já tinha feito a sua escolha contra Deus, de modo que ao endurecer
o seu coração Deus não estava a retirar-lhe a oportunidade de salvação. O
endurecimento era contra o apelo para deixar Israel sair, não contra o apelo de
Deus para que o Faraó aceitasse a salvação pessoal. Cristo morreu pelo Faraó,
do mesmo modo que morreu por Moisés, por Aarão e pelos restantes filhos de
Israel.
O ponto
crucial em tudo isto é que, como seres humanos caídos,
temos uma visão muito limitada do mundo, da realidade e de Deus, bem como da
forma como Ele actua no mundo. Como é que podemos esperar compreender todos os
caminhos de Deus quando o mundo natural, para onde quer que
nos viremos, contém mistérios que não conseguimos compreender? Ao fim e
ao cabo, foi apenas nos últimos cento e cinquenta ou duzentos anos que os
médicos aprenderam que poderia ser uma boa ideia lavar as mãos antes de
realizar uma cirurgia! Isto mostra até que ponto temos
estado mergulhados em ignorância. E quem sabe, se o tempo durar, que outras
coisas vamos descobrir no futuro, as quais mostrarão
como estamos mergulhados em ignorância nos dias de hoje?
É verdade
que nem sempre compreendemos os caminhos de Deus, mas Jesus veio revelar-nos
como Deus é (João 14:9). Por que razão, então, no meio de todos os mistérios da
vida e de acontecimentos inesperados, é tão fundamental que nos apeguemos ao
carácter de Cristo e ao que Ele nos revelou acerca de Deus e do Seu amor por
nós? De que modo o saber como é o carácter de Deus nos pode ajudar a permanecer
fiéis no meio de provações que parecem injustificadas e muito injustas?
QUARTA, 1
de Setembro AMI:
"MEU POVO"
Em
Romanos 9:25, o apóstolo Paulo cita Oseias 2:23 e, no versículo 26, cita Oseias
1:10. O pano de fundo foi a instrução dada por Deus a Oseias para que casasse
com "uma mulher que pratica a prostituição" (Os. 1:2, TIC), a fim de
servir de ilustração do relacionamento de Deus com Israel, uma vez que a nação
tinha seguido deuses estranhos. Os filhos nascidos desse casamento receberam
nomes que significavam a rejeição e o castigo do Israel idólatra por parte de
Deus. O terceiro filho foi chamado Lo-Ami (Os. 1:9),
nome que significa literalmente "não Meu povo".
Contudo,
no meio de tudo aquilo, Oseias predisse que viria o dia em que, depois de
castigar o Seu povo, Deus restauraria a sua condição de prosperidade, removeria
os seus falsos deuses e faria um concerto com eles. (Veja Os. 2:11-19.) Nessa
altura, aqueles que eram Lo-Ami, "não Meu povo", tornar-se-iam
Ami, "Meu povo".
Nos dias
de Paulo, os Ami éramos "nós … não
só de entre os judeus, mas também de entre os gentios" (Rom. 9:24). Que clara e vigorosa apresentação do evangelho,
um evangelho que, desde o princípio, se destinava a todo o mundo. Não admira
que nós, Adventistas, tiremos parte do nosso chamado deste versículo: "E
vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o
proclamar aos que habitam sobre a Terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e
povo" (Apoc. 14:6). Hoje, como nos dias de
Paulo, e nos dias do antigo Israel, as boas novas da salvação devem ser
espalhadas por todo o mundo.
Leia
Romanos 9:25-29. (Repare na quantidade de citações que Paulo faz do Velho
Testamento, a fim de tirar a sua conclusão sobre as coisas que estavam a
acontecer nos seus dias.) Qual é a mensagem básica encontrada em todos estes
versículos? Que esperança é aí oferecida aos seus leitores?
O facto de
alguns concidadãos do apóstolo terem rejeitado o apelo do evangelho trouxera
"grande tristeza e contínua dor" ao seu coração (Rom.
9:2). Contudo, havia um remanescente. As promessas de Deus não falham, mesmo
quando os seres humanos fracassam. A esperança que podemos ter é que, no fim,
as promessas de Deus serão cumpridas e, se reclamarmos essas promessas para nós
mesmos, elas cumprir-se-ão em nós também.
Com que
frequência já houve pessoas que o/a decepcionaram? Com que frequência já se
decepcionou a si mesmo/a e decepcionou outros? Provavelmente mais vezes do que
as que conseguimos contar, não é? Que lições podemos aprender com esses
fracassos sobre onde depor a nossa suprema confiança?
QUINTA,
2 de Setembro TROPEÇAR
"Que
diremos, pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a
justiça? Sim, mas a justiça que é pela fé. Mas Israel, que buscava a lei da
justiça, não chegou à lei da justiça. Porquê? Porque não foi pela fé" (Rom. 9:30-32). Que mensagem está aí contida e, mais
importante, como é que podemos tomar esta mensagem, escrita num certo tempo e
lugar, e aplicar os seus princípios a nós, nos dias de hoje? Como é que podemos
evitar cometer os mesmos erros no nosso contexto que alguns israelitas
cometeram no seu?
Paulo, em
palavras que não podem ser mal compreendidas, explica aos seus concidadãos a
razão por que estão a perder alguma coisa que Deus deseja que eles tenham e,
mais do que isso, alguma coisa que estão de facto a procurar, mas não a
alcançar.
É muito
interessante que os Gentios, a quem Deus aceitara, nem sequer tinham andado à
procura dessa aceitação. Andavam atrás dos seus próprios interesses e
objectivos quando a mensagem do evangelho os alcançou. Apercebendo-se do seu
valor, aceitaram-na. Deus declarou-os justos porque aceitaram Jesus Cristo como
seu substituto. Foi uma transacção de fé.
O
problema dos Israelitas foi que eles tropeçaram na pedra de tropeço (veja Rom. 9:33). Alguns deles, não todos (veja Actos 2:41),
recusaram-se a aceitar Jesus de Nazaré como o Messias a quem Deus enviara. Ele
não preenchia as expectativas que tinham a respeito do Messias; daí que, quando
Ele veio, voltaram-Lhe as costas.
Antes do capítulo chegar ao fim, o apóstolo cita mais um texto do
Velho Testamento: "Como está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra
de tropeço, e uma rocha de escândalo: e todo aquele que crer nela não será
confundido" (Rom. 9:33). Nesta passagem, Paulo
mostra mais uma vez como a verdadeira fé é essencial no plano da salvação
(veja também I Ped. 2:6-8). Uma rocha de escândalo?
E, no entanto, quem crer nela não ficará confundido, nem envergonhado? Sim,
para muita gente, Jesus é uma pedra de tropeço, mas para aqueles que O
conhecem, e O amam, Ele é outro tipo de rocha, "a rocha da minha
salvação" (Sal. 89:26).
Já alguma
vez considerou Jesus uma "pedra de tropeço" ou uma "rocha de
escândalo"? Se sim, de que maneira? Isto é, o que foi que andava a fazer
que criou essa situação? Como é que saiu dela, e o que é que aprendeu de modo a
que, esperamos, nunca mais volte a encontrar-se nesse tipo de relacionamento
antagónico com Jesus?
ESTUDO
ADICIONAL: Leia de Ellen G. White,
"Reformadores Ingleses Postertiores", pp.
207-222 (capítulo 14), em O Grande Conflito (ed. P. SerVir);
"Faith and Works"
(Fé e Obras), pp. 530, 531, em The SDA Encyclopedia (Enciclopédia ASD); Comentários de Ellen G. White, pp. 1099, 1100,
em SDABC (Comentário Bíblico ASD), vol. 1.
"Há
uma eleição de indivíduos e de um povo, a única eleição encontrada na Palavra
de Deus, em que um homem é escolhido para a salvação. Muitos têm olhado para o
fim, pensando terem sido certamente eleitos para a glória celestial; mas não é
essa a eleição que a Bíblia revela. O homem é escolhido para operar a sua
salvação com temor e tremor. É escolhido para envergar a armadura, para
combater o bom combate da fé. É escolhido para usar os meios que Deus colocou
ao seu alcance para lutar contra todo o desejo profano, enquanto Satanás
executa o jogo da vida pela sua alma. É escolhido para vigiar em oração, para
examinar as Escrituras, e evitar entrar em tentação. É eleito para ter fé
continuamente. É eleito para ser obediente a cada palavra que proceda da boca
de Deus, para que não seja apenas ouvinte, mas praticante da Palavra. Essa é a
eleição bíblica." – Ellen G. White,
Testemunhos para Ministros, pp. 453, 454.
"Nenhum
espírito finito pode compreender completamente o carácter ou as obras do Ser
infinito. Não podemos pelas nossas pesquisas encontrar Deus. Para os espíritos
mais fortes e mais altamente educados, assim como para os mais fracos e ignorantes,
aquele Ente santo deverá permanecer revestido de mistério. Mas enquanto ‘nuvens
e obscuridade estão ao redor d’Ele, justiça e juízo
são a base do Seu trono’ (Sal. 97:2). Podemos compreender o Seu trato para
connosco a ponto de discernir a misericórdia ilimitada unida ao infinito poder.
É-nos dado compreender tanto dos Seus propósitos quanto somos capazes de
abranger; para além disso podemos ainda confiar naquela mão que é omnipotente,
naquele coração repleto de amor." – Ellen G. White, Educação, p. 169.
PERGUNTAS
PARA REFLEXÃO:
Certos
cristãos ensinam que, mesmo antes de nascermos, Deus escolheu alguns para
serem salvos e alguns para se perderem. Se aconteceu que um de nós é um dos que
Deus, no Seu infinito amor e sabedoria, predeterminou que se perca, então,
independentemente das escolhas que faça, essa pessoa está condenada à perdição,
a qual muitos crêem que significa arder no inferno para toda a eternidade.
Noutras palavras, não é por por uma escolha nossa,
mas unicamente pela providência de Deus, que alguns são predestinados a viver
aqui nesta vida sem qualquer relacionamento redentor com Jesus, unicamente
para na vida vindoura arderem para todo o sempre nos fogos do inferno. O que é
que está mal neste quadro? De que modo esta opinião contrasta com o nosso
entendimento sobre estas mesmas questões?
Até que
ponto vê a Igreja Adventista do Sétimo Dia e o seu chamado no mundo de hoje
como um paralelo com a função do antigo Israel no seu tempo? Quais são as
semelhanças e quais as diferenças? Em que aspectos estamos a fazer melhor do
que eles? Ou estamos a fazer pior? Justifique a sua resposta.