LIÇÃO 1                                  27 de Junho a 3 de Julho de 2010

 

 

 

 

 

Paulo e Roma

 

 

 

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SÁBADO À TARDE

 

 

LEITURA PARA O ESTUDO DA SEMANA: Actos 28:17-31; Romanos 1:7; 15:14, 20-27; Efésios 1; Filipenses 1:12.

VERSO ÁUREO: "Primeiramente dou graças ao meu Deus, por Jesus Cris­to, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé." Romanos 1:8.

 

 

NO NOSSO ESTUDO DE ROMANOS, o ideal seria que, após um estudo dos antecedentes históricos, começássemos com Romanos 1:1 e que daí prosseguís­semos com o livro todo, versículo a versículo. Como só foi destinado um trimestre ao estudo desta epístola, tivemos de ser selectivos quanto às partes que teremos possibilidade de estudar. Este livro daria bem para ocupar facilmente uns quatro trimestres, e não apenas um, para a sua análise. Daí que só os capítulos-chave, nos quais se encontra a mensagem básica, venham a ser cobertos.

É da máxima importância que qualquer estudante de Romanos compreenda os antecedentes históricos deste livro. Sem esses antecedentes, será difícil ao estu­dante saber o que o apóstolo Paulo pretende dizer. O apóstolo estava a escrever a um grupo específico de cristãos, numa ocasião específica e por uma razão específica. Termos tanto conhecimento quanto seja possível dessa razão será de enorme benefício para o nosso estudo.

Temos de, na nossa imaginação, recuar no tempo, transportar-nos até Roma, tornar-nos membros daquela congregação e, depois, como membros de Igreja no primeiro século, ouvir Paulo e as palavras que o Espírito Santo lhe inspirou naquela altura.

É bastante surpreendente que, embora escrito há muito tempo e num contexto totalmente diferente, este livro contenha mensagens relevantes para o Seu povo nos dias de hoje, em todas as terras e na maior parte das situações. Por isso, pre­cisamos de dar atenção, em espírito de oração, às palavras aí escritas e aplicá-las à nossa própria vida.

 

 

DOMINGO, 27 de Junho                            DATA E LUGAR

 

 

Romanos 16:1 e 2 indicam que o apóstolo Paulo escreveu a epístola aos Roma­nos provavelmente na cidade de Cencreia, a qual ficava perto do porto oriental de Corinto, na Grécia. O facto de Paulo mencionar Febe, residente na zona principal de Corinto, confirma o lugar como o provável pano de fundo da carta aos Romanos.

Um dos propósitos ao confirmar a cidade de origem das epístolas do Novo Testamento é determinar a data da escrita. Uma vez que Paulo viajava muito, saber onde ele estava numa dada altura dá-nos uma pista para a data.

O apóstolo abriu a igreja de Corinto no decorrer da sua segunda viagem mis­sionária, entre os anos 49 e 52 da era cristã (veja Actos 18:1-18). Durante a sua terceira viagem, entre os anos 53 e 58, ele voltou a visitar a Grécia (Actos 20:2 e 3), e desta vez recebeu uma oferta para os santos em Jerusalém, já perto do final desta sua viagem (Rom. 15:25 e 26). Assim sendo, a Epístola aos Romanos foi provavelmente escrita nos primeiros meses do ano 58.

 

Que outras importantes igrejas tinha o apóstolo Paulo visitado no decor­rer da sua terceira viagem missionária? Actos 18:23.

 

Ao visitar as igrejas da Galácia, o apóstolo Paulo descobriu que, durante a sua ausência, alguns falsos mestres tinham convencido os membros a submeterem--se à circuncisão e à observância de outros preceitos da lei de Moisés. Rece­ando que os seus opositores pudessem chegar a Roma antes dele aí chegar, o apóstolo escreveu uma carta (Romanos) para evitar que a mesma tragédia acontecesse em Roma. Crê-se que a epístola aos Gálatas também foi escrita em Corinto, durante os três meses que o apóstolo aí passou no decorrer da sua terceira viagem missionária, talvez pouco depois da sua chegada.

"Na sua epístola aos romanos, Paulo expôs os grandes princípios do evange­lho. Afirmava a sua posição nas questões que andavam a agitar as igrejas judai­cas e não judaicas, e mostrava que as esperanças e promessas, que no passado tinham pertencido especialmente aos judeus, eram agora oferecidas também aos gentios" – Ellen G. White, Actos dos Apóstolos, p. 265, (ed. P. SerVir).

Como já dissemos, é importante no estudo de qualquer livro da Bíblia saber a razão pela qual o mesmo foi escrito; isto é, que situação tratava. Daí que seja importante para a nossa compreensão da Epístola aos Romanos saber quais eram as questões que agitavam as igrejas judaicas e gentias. A lição da próxima semana vai tratar destas questões.

 

Que tipo de questões está a agitar a sua igreja neste momento? As ame­aças são mais do exterior ou do interior? Que parte está pessoalmente a ter nesses debates? Quantas vezes já se deteve a interrogar-se sobre a sua parte, a sua posição e as suas atitudes em quaisquer problemas que este­jam a enfrentar? Por que motivo é tão importante este tipo de auto-exame?

 

 

SEGUNDA, 28 de Junho                           UM TOQUE PESSOAL

 

 

Uma carta é uma coisa, uma visita pessoal é outra. Foi por esta razão que, embora tenha escrito aos Romanos, o apóstolo Paulo anunciou na carta que ten­cionava vê-los pessoalmente. Queria que eles soubessem que ele lá ia e a razão que o levava a fazê-lo.

 

Leia Romanos 15:20-27. Que razões apresenta aí Paulo para não ter visi­tado Roma mais cedo? O que foi que o levou a decidir-se por ir naquela al­tura? Até que ponto a missão ocupava um lugar central no seu raciocínio? Que lições sobre missão e testemunho podemos aprender das palavras do apóstolo nesta passagem? Que conclusão interessante – e importante – tira o apóstolo no versículo 27 a propósito de Judeus e Gentios?

 

O grande missionário entre os Gentios sentiu-se permanentemente impeli­do a levar o evangelho a áreas anteriormente não visitadas, deixando outros a trabalhar nas áreas onde o evangelho já fora estabelecido. Nos dias em que o Cristianismo era jovem e os obreiros eram poucos, seria para o apóstolo Paulo uma perda de precioso poder missionário andar a trabalhar em áreas já pene­tradas. Dizia ele: "E, desta maneira, me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo houvera sido nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio" e assim "os que não ouviram o entenderão" (Rom. 15:20 e 21).

Não era propósito de Paulo fixar-se em Roma. O seu objectivo era evangelizar a Península Ibérica. Esperava obter apoio dos crentes cristãos em Roma para este seu empreendimento.

 

Que importante princípio podemos retirar para nós mesmos, sobre toda esta questão da missão, do facto de o apóstolo Paulo procurar a colabora­ção de uma igreja estabelecida a fim de evangelizar uma nova área?

Leia de novo os versículos em Romanos 15:20-27. Repare quanto o após­tolo Paulo desejava servir; isto é, o seu grande desejo era ministrar e servir. O que é que pessoalmente o/a motiva, bem como às suas acções? Até que ponto possui um coração predisposto para o serviço?

 

 

TERÇA, 29 de Junho                                 PAULO CHEGA A ROMA

 

 

"E, logo que chegámos a Roma, o centurião entregou os presos ao gene­ral dos exércitos; mas a Paulo se lhe permitiu morar sobre si, à parte, com o soldado que o guardava." Actos 28:16. O que é que este texto nos diz a respeito da forma como o apóstolo chegou finalmente a Roma? Que lição podemos nós retirar desta experiência sobre coisas indesejadas e inespe­radas que tantas vezes nos acontecem?

 

A vida pode sofrer algumas voltas muito estranhas. Quantas vezes os nossos planos, até os que fazemos com as melhores das intenções, não se concretizam como desejávamos nem como esperávamos. O apóstolo Paulo acabou mesmo por chegar a Roma, mas provavelmente não foi da maneira como esperava.

Quando Paulo chegou a Jerusalém, no final da sua terceira viagem missioná­ria, levando consigo a oferta para os pobres, recolhida por ele das congregações da Europa e da Ásia Menor, alguns acontecimentos inesperados aguardavam--no ali. Foi detido e acorrentado. Após ter estado preso durante dois anos em Cesareia, apelou para César, o imperador. Cerca de três anos depois da sua detenção, chegou a Roma e (estamos em crer) não como tencionava uns anos antes, quando primeiramente escreveu à igreja de Roma a respeito da sua in­tenção de a visitar.

 

O que é que nos dizem os seguintes textos sobre o tempo passado por Paulo em Roma? Mais importante ainda, que lição podemos aprender de­les? Actos 28:17-31.

 

"Não foi pelos sermões de Paulo, mas pelas suas cadeias, que a atenção da corte atraída foi para o cristianismo. Foi como um cativo que ele rompeu de tantas almas as cadeias que as mantinham na escravidão do pecado. E não foi só isto. Declarou: ‘Muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a Palavra mais confiadamente, sem temor.’ Fil. 1:14." – El­len G. White, Actos dos Apóstolos, pp. 328, 329 (Ed. P. SerVir).

 

Quantas vezes já viveu alterações inesperadas na sua vida pessoal, as quais, no fim, se provaram ser para o seu bem? (Veja Fil. 1:12.) Até que ponto essas experiências lhe podem, e devem, dar fé para confiar em Deus nas coisas em que parece que não há nada de bom?

 

 

QUARTA, 30 de Junho                              CHAMADOS PARA SER "SANTOS"

 

 

Esta é a saudação de Paulo dirigida à igreja em Roma: "A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz, de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo." Romanos 1:7. Que princípios de ver­dade, de teologia e de fé podemos nós retirar destas palavras?

 

Amados de Deus. Embora seja verdade que Deus ama o mundo, Deus ama num sentido especial aqueles que O escolhem, aqueles que correspondem ao Seu amor.

Vemos o mesmo na esfera humana. Amamos de forma especial aqueles que nos amam; com esses há uma troca mútua de afecto. O amor exige uma respos­ta. Quando a resposta não surge, o amor é limitado na sua mais plena expressão.

Chamados santos. Algumas versões traduzem esta expressão por "chamados para ser santos". Aparentemente o "para ser" é um acrescento dos tradutores, mas tais palavras podem ser retiradas e o sentido mantém-se intacto.

Santos é a tradução do termo grego hagioi, que literalmente quer dizer "os consagrados". Santo significa "dedicado". Santo é alguém que foi "separado" por Deus. Tal pessoa pode ter ainda um longo caminho a percorrer na via da santificação, mas o facto dessa pessoa ter escolhido Cristo como seu Senhor designa-a como um santo no sentido bíblico do termo.

 

Paulo diz que eles eram "chamados santos". Quer isto dizer que uns são chamados e outros não? De que modo Efésios 1:4, Hebreus 2:9 e II Pedro 3:9 nos ajudam a compreender o que o apóstolo quer dizer?

 

As maravilhosas boas novas do evangelho são que a morte de Cristo foi uni­versal; foi para todos os seres humanos. Todos foram chamados para serem sal­vos n’Ele, "chamados para serem santos" antes mesmo da fundação do mundo. A intenção original de Deus era no sentido de toda a humanidade encontrar a salvação em Jesus. O fogo final do inferno destinava-se apenas ao diabo e aos seus anjos (Mat. 25:41). O facto de alguns indivíduos não se apropriarem da­quilo que foi oferecido não diminui a maravilha da dádiva, do mesmo modo que alguém em greve de fome num supermercado não diminui a admirável fartura que ali se encontra.

 

Pense nisto: Ainda antes da fundação do mundo, Deus chamou-nos pessoalmente para termos n’Ele a salvação. Por que razão não devemos consentir que nada, absolutamente nada, nos detenha na resposta a esse chamado?

 

 

QUINTA, 1 de Julho                                    REPUTAÇÃO MUNDIAL

 

 

"Primeiramente dou graças ao meu Deus, por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé." Romanos 1:8.

 

Não se sabe como é que foi estabelecida a congregação de Roma. A tradição de que a igreja foi fundada por Pedro ou Paulo não tem fundamento histórico. É provável que tenham sido leigos que a tenham fundado, gente convertida no dia de Pentecostes em Jerusalém (Actos 2), que depois visitou Roma ou se mudou para lá. Ou talvez tenha sido mais tarde, quando conversos se mudaram para Roma e tenham testemunhado sobre a sua fé, nessa capital do mundo.

É surpreendente que, poucas décadas depois do Pentecostes, uma congre­gação que, ao que tudo indica, não tinha tido nenhuma visita apostólica se tives­se tornado tão extensamente conhecida. "Não obstante a oposição, vinte anos após a crucificação de Cristo havia em Roma uma igreja viva e fervorosa. Esta igreja era forte e zelosa, e o Senhor operava em seu favor." – Ellen G. White, SDABC (Comentário Bíblico ASD), vol. 6, p. 1067.

"Fé" neste texto inclui provavelmente o sentido mais amplo de fidelidade; isto é, fidelidade ao novo modo de vida que tinham descoberto em Cristo.

 

Leia Romanos 15:14. De que modo descreve aí o apóstolo Paulo a igreja em Roma?

 

Os três pontos que Paulo escolhe como dignos de nota na experiência dos cristãos de Roma são:

1. "Cheios de bondade". Será que as pessoas podem dizer o mesmo acerca da nossa própria experiência? Ao lidarem connosco, é a abundância de bondade em nós que lhes atrai a atenção?

2. "Cheios de todo o conhecimento". A Bíblia realça repetidamente a impor­tância do esclarecimento, da informação e do conhecimento. Os cristãos são admoestados a estudar a Bíblia e a tornarem-se bem informados relativamente aos seus ensinos. "As palavras: ‘… vos darei um coração novo’ significam ‘porei dentro de vós um espírito novo’. A mudança de coração é sempre seguida da visão clara do dever cristão e da compreensão da verdade." – Ellen G. White, Minha Consagração Hoje (Meditações Matinais), p. 24.

3. "Podendo admoestar-vos uns aos outros". Ninguém pode prosperar es­piritualmente se estiver isolado dos seus companheiros crentes. É preciso que sejamos capazes de encorajar os outros e, ao mesmo tempo, de sermos enco­rajados pelos outros.

 

Como é a vossa igreja local? Que tipo de reputação tem? Ou, ainda mais importante, tem ela alguma reputação? O que é que a sua resposta indica sobre a sua igreja local? Mais importante, se necessário for, de que modo pode pessoalmente ajudá-la a melhorar a situação?

 

 

SEXTA, 2 de Julho

 

 

ESTUDO ADICIONAL: Leia de Ellen G. White, "Os Mistérios da Bíblia", p. 706, em Testemunhos para a Igreja, vol. 5; "A Salvação para os Judeus", pp. 265-271, em Actos dos Apóstolos, (Ed. P. SerVir). Leia também no SDABD (Dicionário Bíblico ASD), p. 922; no SDABC (Comentário Bíblico ASD), vol. 6, pp. 467, 468.

"Deste modo, enquanto estava aparentemente afastado do trabalho activo, Paulo exercia uma influência maior e mais duradoura do que se estivesse livre a viajar entre as igrejas como em anos passados. Como prisioneiro do Senhor, retinha mais firmemente a afeição dos seus irmãos, e as suas palavras, escritas por quem estava preso por amor de Cristo, impunham maior atenção e respeito do que quando estava pessoalmente com eles." – Ellen G. White, Actos dos Apóstolos, p. 321, (Ed. P. SerVir).

"Ver a fé cristã firmemente estabelecida no grande centro do mundo conhecido era uma das suas maiores esperanças e mais acalentados planos. Já tinha sido estabelecida uma igreja em Roma e o apóstolo desejava conseguir a coopera­ção dos crentes dessa igreja na obra a ser promovida na Itália e noutros países. Para poder preparar o caminho para o seu trabalho junto desses irmãos, muitos dos quais lhe eram por enquanto estranhos, enviou-lhes uma carta, anunciando a sua intenção de visitar Roma e a sua esperança de implantar o estandarte da cruz em Espanha." – Ellen G. White, Actos dos Apóstolos, p. 265, (Ed. P. SerVir).

"O eterno Deus delineou o limite de separação entre os santos e os pecado­res, entre conversos e não conversos. As duas classes não se misturam imper­ceptivelmente, como as cores do arco-íris, mas são tão distintas como a meia- -noite e o meio-dia." – Ellen G. White, Mensagens aos Jovens, p. 390.

 

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO:

 

Dedique algum tempo à pergunta no final da secção de Quinta-feira. De que modo poderia a sua classe ajudar a melhorar a reputação da igreja, se isso fosse necessário?

Fale na classe de experiências em que uma situação que, de início, parecia terrível, pôde ser tornada boa. De que modo é possível usar essas experiências para ajudar outros que estão a confrontar-se com calamida­des inesperadas?

Dedique mais algum tempo à ideia de que fomos chamados para ter a salvação, isso mesmo antes da fundação do mundo (veja também Tito 1:1 e 2; II Tim. 1:8 e 9). Por que razão devemos considerar isso muito encora­jador? O que nos diz sobre o amor de Deus por todos os seres humanos? Por que motivo, então, é tão trágico quando as pessoas voltam as costas ao que tão graciosamente lhes foi oferecido?